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🎯 MÉTODO QA® · Artigo 9 | Eficiência Operacional × Efetividade Comercial

🎯 MÉTODO QA® · Artigo 9 | Eficiência Operacional × Efetividade Comercial
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Onde investir cada real e cada hora de visita

Série: Método QA® — A Busca pela Efetividade · Módulo 1: Fundamentos · Alavanca dominante: Inteligência


✨ Introdução


Atenção — Todos os indicadores estão verdes, e o market share cai. Como?


Interesse — Porque eficiência e efetividade não são a mesma coisa, e o dia a dia as confunde.


Desejo — Saber a diferença é saber onde investir cada real e cada hora de visita.


Ação — Aprenda a separar fazer muito de fazer o que importa, e pare de otimizar a atividade errada.


No artigo anterior, fechamos a conduta que sustenta a operação. Antes de o módulo de Fundamentos se encerrar com o diagnóstico, falta afiar uma lente. O dia a dia mistura duas palavras que decidem para onde vão o dinheiro e as horas da operação: eficiência e efetividade. Separá-las é tarefa da Inteligência.


Já demos a definição no primeiro artigo, mas agora descemos ao chão da operação. Eficiência é a relação entre o que se entrega e o que se gasta: fazer bem, rápido e barato. Efetividade é fazer aquilo que de fato move o resultado. Uma cuida do "como"; a outra, do "o quê".


A eficiência é sedutora porque é fácil de medir. Visitas por dia, custo por contato, quilômetros por visita, tudo isso cabe num painel e dá uma sensação imediata de progresso. A efetividade é mais difícil de medir, e é justamente ela que importa. O fácil de medir engana o difícil de enxergar.


Daí nasce o erro mais clássico da gestão comercial: otimizar a eficiência da atividade errada. A operação fica excelente em fazer aquilo que nem deveria estar fazendo. É correr mais rápido na direção errada, e chegar antes a lugar nenhum.


A pergunta que cada uma responde deixa a diferença nítida. A eficiência pergunta: estamos fazendo isto bem? A efetividade pergunta: estamos fazendo a coisa certa? É possível responder "sim" à primeira e "não" à segunda, e essa combinação é a mais perigosa de todas.


Um exemplo de campo torna a distinção concreta. Um representante com doze visitas por dia é altamente eficiente. Mas, se essas visitas são a médicos de baixo potencial, ele é eficiente e inefetivo ao mesmo tempo: muita atividade impecável, pouco resultado real.


O inverso também engana. Cortar o custo por contato reduzindo a qualidade da visita melhora o indicador de eficiência e piora o de efetividade. É a economia falsa: gasta-se menos por visita e colhe-se menos por visita ainda, e o painel comemora enquanto o resultado mingua.


Aqui reaparece a armadilha da atividade, que já encontramos antes. Os indicadores de eficiência premiam o movimento, e o movimento se disfarça de resultado. Contar o que foi feito é confortável; medir o que mudou é incômodo, e por isso muitas operações escolhem o conforto.


Nada disso significa que a eficiência seja a vilã. Pelo contrário: uma vez que se está fazendo a coisa certa, fazê-la com eficiência multiplica o retorno. A eficiência não é inimiga da efetividade, a eficiência fora de lugar é. O problema nunca é gastar pouco; é gastar pouco no que não importa.


Daí decorre a sequência correta. Primeiro a efetividade: estamos cobrindo, abordando e mensageando as coisas certas? Só depois a eficiência: fazemos isso com o menor desperdício possível? Buscar eficiência antes de efetividade é apenas aprimorar o erro com mais capricho.


A melhor forma de aplicar essa lente é pensar em investimento. Cada real e cada hora têm custo de oportunidade, porque poderiam estar em outro lugar. A pergunta deixa de ser "estamos ocupados?" e passa a ser "este é o uso de maior retorno para este recurso?".


No campo, o recurso mais escasso é o tempo, a hora de visita. Gastá-la com o médico errado é o desperdício mais caro que existe, e o mais invisível: ele não aparece em nenhum painel de eficiência, porque a visita foi feita, registrada e contada. O custo está no que deixou de ser feito.


Com o dinheiro, a lógica se repete na alocação. Distribuir verba entre produtos, canais e regiões é uma decisão de efetividade antes de ser de eficiência. A pergunta certa não é onde é mais barato gastar, e sim onde o próximo real produz mais resultado.


É aqui que o conceito de retorno sobre investimento precisa de cuidado. Há o retorno sobre a atividade e o retorno sobre o desfecho, e eles não são a mesma coisa. Medir o ROI sobre o denominador errado, a atividade, faz parecer eficiente o que é apenas ocupado.


O sintoma mais traiçoeiro é o painel todo verde com o resultado caindo. Cobertura no alvo, visitas em dia, custo sob controle, e o market share recuando. Quando isso acontece, a operação está sendo eficiente em ser inefetiva, e nenhum indicador de eficiência vai apontar o problema.


A efetividade exige algo que a eficiência raramente cobra: escolher o que não fazer. Dizer não à atividade de baixo valor é a decisão mais difícil e mais efetiva da gestão. A eficiência aceita fazer tudo, só que melhor; a efetividade obriga a cortar.


O princípio do foco ajuda nessa escolha. Em quase toda operação farmacêutica, uma minoria de médicos e de contas concentra a maior parte do potencial. A efetividade concentra recursos onde está esse potencial; a eficiência indisciplinada os espalha por igual, e dilui a força.


Por isso "cobrir todo mundo igualmente" parece justo e eficiente, mas costuma ser inefetivo. Tratar alvos desiguais como iguais é desperdiçar nos pequenos o que falta nos grandes. A disciplina do targeting, que veremos adiante, é, no fundo, uma disciplina de efetividade.


Quem arbitra entre as duas lentes é a Inteligência. Só o dado revela se uma atividade é efetiva, e não apenas eficiente. Sem medir desfechos, a operação mede atividade por falta de alternativa, e acaba gerindo aquilo que consegue ver, não aquilo que importa.


A prática que resolve isso é simples de enunciar: emparelhe cada indicador de eficiência a um de efetividade. Visitas por dia ao lado de ganho de prescrição no alvo. Custo por contato ao lado de conversão gerada. Nunca relate um sem o outro, ou o número fácil vai dominar a decisão.


Essa lente muda a pergunta da liderança. Sai de "quanto o time fez?" e entra "o que o time mudou, e a que custo?". A primeira metade da pergunta é efetividade; a segunda é eficiência. Juntas, e só juntas, elas descrevem uma operação saudável.


Vale lembrar que a efetividade sem eficiência também é incompleta. Bater a meta queimando todo o recurso não é vitória, é insustentabilidade, como vimos no primeiro artigo. Não se trata de escolher uma lente, e sim de equilibrar as duas. Uma sozinha sempre vaza.


A síntese, portanto, é a mesma multiplicação que percorre toda a série: eficiência vezes efetividade. Seja efetivo primeiro, fazendo as coisas certas; seja eficiente em seguida, fazendo-as bem e com economia. Faltando qualquer um dos fatores, o resultado escorre pelo ralo.


Esse é o coração da alavanca de Inteligência: separar atividade de resultado e dirigir cada real e cada hora ao uso de maior retorno. Não é sobre ter mais relatórios; é sobre fazer cada recurso responder à pergunta certa antes de ser gasto.


Com esta lente, completamos os pilares conceituais dos Fundamentos: a efetividade, as Quatro Alavancas®, a anatomia, os papéis, as frentes, o funil, a regulação, a ética e, agora, a distinção entre eficiência e efetividade. No próximo artigo, fechamos o módulo colocando tudo para funcionar, com o diagnóstico inicial do Método QA® aplicado à sua operação.



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