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2021 | Pharm Exec’s Top 50 Pharma Companies - As Top 50 Principais Empresas da Pharm Exec

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Série: Consultores, Propagandistas e Representantes


O Setor Biofarmacêutico no Ano da COVID-19


O ranking anual das 50 maiores empresas biofarmacêuticas globais, elaborado com base nas vendas de medicamentos prescritos e com dados fornecidos em parceria com a firma de inteligência de mercado Evaluate Ltd — incluindo também os totais de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de cada companhia —, reflete o desempenho do setor durante um dos períodos mais desafiadores de sua história recente. O recorte temporal analisado foi amplamente influenciado pela pandemia de COVID-19, que impôs às empresas farmacêuticas uma dupla exigência: manter e expandir suas operações comerciais, ao mesmo tempo em que respondiam a uma crise sanitária global sem precedentes.



Os desafios operacionais foram múltiplos: implementação de políticas de trabalho remoto em escala, interrupções nas cadeias de suprimentos e logística em razão do fechamento de fronteiras, e mudanças profundas nas dinâmicas de relacionamento com pacientes e profissionais de saúde. Em pesquisa conduzida pela empresa Model N com executivos de alto escalão do setor farmacêutico, 58% dos respondentes apontaram a pandemia como o fator de maior impacto sobre a gestão de receitas em suas organizações.


Do ponto de vista do valor de mercado, o desempenho das empresas em 2020 foi heterogêneo e nem sempre atrelado diretamente à presença de produtos COVID no portfólio. Dados compilados pela GlobalData indicam que a AbbVie — sem produtos relevantes voltados à COVID-19 — registrou o maior crescimento percentual de capitalização de mercado entre as dez maiores farmacêuticas globais: 44,4% em termos anuais. A Eli Lilly, que obteve autorização de uso emergencial para seu coquetel de anticorpos contra COVID em fevereiro, viu sua capitalização crescer 28%. A Roche, com forte presença em diagnósticos para COVID-19, e a Regeneron, fabricante de outro coquetel de anticorpos, também registraram aumentos expressivos de valor de mercado.


Embora os resultados de valorização tenham variado entre empresas como Pfizer, Johnson & Johnson, AstraZeneca e Gilead Sciences — todas envolvidas no desenvolvimento acelerado de vacinas ou terapias contra a COVID-19 —, a pandemia se mostrou, em termos gerais, favorável ao desempenho financeiro da indústria farmacêutica. Esse cenário foi evidenciado tanto pelo fluxo de capital para o setor quanto pela valorização das ações. Relatório da consultoria independente de avaliação de marcas Brand Finance apontou crescimento no valor de marca de 6% para a Pfizer, 18% para a AstraZeneca e 58% para a chinesa Sinopharm, como resultado direto da corrida por vacinas.



As Líderes do Ranking: Top 10 em Vendas de Rx


Roche — 1ª Posição


A Roche manteve a liderança pelo segundo ano consecutivo, ainda que sua receita de medicamentos prescritos tenha recuado 1,6%. O anticorpo monoclonal Ocrevus, indicado para esclerose múltipla (EM), ascendeu à segunda posição entre os produtos mais vendidos da companhia, com receita de US$ 4,6 bilhões em 2020, deslocando o histórico Herceptin do trio de líderes. Outros medicamentos recentemente lançados — Tecentriq, Perjeta e Kadcyla, para oncologia, e Hemlibra, para hemofilia — apresentaram crescimento consistente, contribuindo para compensar a concorrência de biossimilares.


A Roche também se manteve como a maior investidora em P&D do setor, destinando US$ 11,3 bilhões à pesquisa — crescimento de 9,8% em relação ao ano anterior. A companhia contava com 19 novos compostos em fase III de ensaios clínicos ou em processo de aprovação regulatória.


Novartis — 2ª Posição


A Novartis manteve a segunda colocação, com crescimento de 2,4% nas vendas de Rx, atingindo US$ 47,2 bilhões. O medicamento Entresto, indicado para insuficiência cardíaca crônica (ICC), continuou sua trajetória ascendente, com crescimento de 45% em 2020, atingindo US$ 2,5 bilhões — e expansão adicional de 34% no primeiro trimestre de 2021. Em fevereiro, a FDA concedeu ampliação de indicação ao produto para abranger a maioria dos pacientes com ICC, incluindo adultos com fração de ejeção reduzida ou preservada. O biológico Cosentyx, principal produto da empresa, recebeu aprovação para o tratamento de psoríase em placas em pacientes pediátricos.


AbbVie — 3ª Posição


A AbbVie avançou da 8ª para a 3ª posição, impulsionada pela incorporação dos ativos da Allergan após o fechamento da aquisição em 8 de maio de 2020. As vendas totais de Rx saltaram 37%, para US$ 44,3 bilhões. A empresa ainda detém o produto de maior receita global em imunologia: o Humira, com vendas próximas a US$ 20 bilhões em 2020 — representando aproximadamente 45% do total de vendas de medicamentos da AbbVie, uma das maiores dependências de produto único entre as grandes farmacêuticas globais.


Com a expiração da patente do Humira prevista para 2023 e o consequente início da concorrência de biossimilares, a companhia aposta nos medicamentos de nova geração Skyrizi e Rinvoq para compensar as perdas futuras. Aprovados para psoríase e artrite reumatoide, respectivamente, os dois produtos somaram US$ 2 bilhões em vendas em 2020, com projeções corporativas de US$ 15 bilhões combinados até 2025.


O Skyrizi, inibidor de IL-23, encontrava-se em fase avançada de testes para doença de Crohn, artrite psoriásica e colite ulcerativa — com resultados positivos em fase III para Crohn reportados em dois estudos distintos de dosagem. O Rinvoq, inibidor de JAK, avançava em indicações para dermatite atópica (com resultados superiores ao placebo em três estudos de fase III), espondilite anquilosante e artrite psoriásica.


Johnson & Johnson — 4ª Posição


A J&J registrou crescimento de 7,7% na receita de medicamentos prescritos, avançando duas posições para o 4º lugar. A companhia foi amplamente reconhecida por seu papel na resposta à pandemia por meio do desenvolvimento de vacina contra COVID-19 pela unidade Janssen. O investimento em P&D somou US$ 9,563 bilhões, posicionando a J&J como a segunda maior investidora no setor.


Bristol Myers Squibb — 5ª Posição


A BMS manteve a quinta colocação, com crescimento de 3% nas vendas de Rx, atingindo US$ 41,9 bilhões. Dois novos eventos regulatórios posicionaram a empresa para ganhos futuros: a aprovação da FDA para o Zeposia no tratamento de adultos com colite ulcerativa moderada a grave (produto já comercializado para formas recidivantes de EM); e a aprovação do Opdivo — com US$ 7 bilhões em vendas em 2020 e inibidor de PD-1 concorrente do Keytruda da Merck — como adjuvante para câncer esofágico ou da junção gastroesofágica. Em pesquisa clínica, o candidato experimental relatlimab demonstrou, em combinação com o Opdivo, extensão significativa do tempo até progressão em melanoma avançado, em comparação com o Opdivo como monoterapia. O investimento em P&D da BMS foi de US$ 9,237 bilhões, posicionando a empresa em terceiro lugar nesse indicador.


Merck — 6ª Posição


A Merck recuou duas posições, para 6º lugar, embora tenha registrado crescimento de 1,3% nas vendas de Rx. Seu investimento em P&D somou US$ 9,231 bilhões. A companhia possui candidato a vacina pneumocócica em fase avançada de desenvolvimento.


Sanofi — 7ª Posição


A Sanofi ocupou a sétima colocação, com crescimento de 2,5% na receita em relação ao ano anterior.


Pfizer — 8ª Posição


A Pfizer recuou cinco posições para o 8º lugar em vendas de Rx, resultado notável dado o papel central da companhia no desenvolvimento, em parceria com a biofarmacêutica alemã BioNTech, da primeira vacina de uso emergencial contra COVID-19. O investimento em P&D totalizou US$ 8,884 bilhões, com candidato a vacina pneumocócica em fase avançada, assim como a Merck. A reversão de posições no ranking reflete o período de transição antes que as receitas da vacina Comirnaty se materializassem integralmente nas demonstrações financeiras anuais.


GlaxoSmithKline — 9ª Posição


A GSK manteve-se entre as dez maiores, com planos de cisão da organização em duas unidades distintas no ano seguinte. A companhia anunciou a venda de sua participação total na parceira em medicamentos respiratórios Innoviva — empresa de gestão de royalties — por aproximadamente US$ 392 milhões.


Takeda — 10ª Posição


A Takeda encerrou o top 10, apesar de uma queda de 4,6% na receita de Rx. A empresa depositava expectativas em ativos em desenvolvimento para o fortalecimento de seu portfólio nos anos seguintes. O maribavir, ativo estratégico oriundo da aquisição da Shire por US$ 62 bilhões em 2019, recebeu da FDA revisão prioritária e apresentava potencial para tornar-se o único tratamento disponível para infecção refratária por citomegalovírus pós-transplante — a infecção oportunista mais comum em receptores de transplante de fígado. A Takeda planejava seis registros regulatórios ao longo do ano, incluindo um candidato a vacina contra dengue.


2021 | Pharm Exec’s Top 50 Pharma Companies - As Top 50 Principais Empresas da Pharm Exec

Destaques Adicionais do Ranking


Aprovações regulatórias durante a pandemia: Em 2020, a FDA aprovou 57 novos medicamentos — número superior ao de 2019 —, demonstrando resiliência regulatória mesmo em contexto de crise. Análise da Evaluate Vantage identificou potencial de vendas de US$ 21,5 bilhões no quinto ano para esses medicamentos, cifra comparável à de anos pré-pandêmicos.


Impacto nos ensaios clínicos: Levantamento da Deloitte revelou que, entre março e novembro de 2020, dos 1.210 estudos clínicos impactados pela pandemia, a maioria (66%) sofreu atrasos no início ou na conclusão, e 8% foram encerrados antes mesmo de recrutar qualquer paciente. Do total afetado, 29% eram estudos de fase III — com potencial impacto sobre lançamentos futuros. Em contrapartida, dados da IQVIA apontaram que o financiamento de P&D em fases iniciais e avançadas, bem como as atividades de licenciamento e parcerias, cresceram significativamente em 2020, com o gasto agregado em P&D entre as 15 maiores companhias atingindo novo recorde histórico.



Outros destaques do ranking:


Viatris (19ª posição): empresa resultante da fusão entre a Mylan e a divisão Upjohn da Pfizer, estreou no ranking como nome até então desconhecido entre as líderes globais.


Vertex Pharmaceuticals (26ª posição): avanço expressivo de 13 posições (da 39ª), com crescimento de 49% nas vendas de Rx, impulsionado pelo Trikafta — novo medicamento para fibrose cística que gerou US$ 3,9 bilhões em 2020.


Regeneron (28ª posição): avançou três posições com crescimento de 15% na receita de medicamentos prescritos, impulsionada por seu coquetel de anticorpos contra COVID-19.


Jiangsu Hengrui Medicine — China (38ª posição): gerou mais de US$ 880 milhões adicionais em vendas de Rx em 2020 em comparação com 2019.


Novos ingressantes no ranking: CSPC Pharmaceutical Group (China, 42ª posição) e STADA Arzneimittel (Índia, 50ª posição).



Considerações Finais


O desempenho do setor biofarmacêutico em 2020 demonstrou uma capacidade notável de adaptação e resiliência diante de um cenário de ruptura global. A pandemia de COVID-19 funcionou simultaneamente como catalisador de inovação acelerada — especialmente em plataformas vacinais e terapias antivirais — e como fator de pressão sobre operações, cadeias de suprimentos e modelos de engajamento com o mercado. O equilíbrio entre a geração de valor comercial e a contribuição ao bem público revelou-se um elemento central da estratégia corporativa das principais organizações do setor, consolidando a relevância da inovação biofarmacêutica como vetor tanto de retorno financeiro quanto de impacto sanitário global.



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GII 2021 - Global Innovation Index - Os Países mais Inovadores do Mundo

GII 2021 - Global Innovation Index - Os Países mais Inovadores do Mundo
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A crise global desencadeada pela pandemia de 2020 reposicionou a inovação no centro das discussões sobre desenvolvimento econômico e social. Diferente de períodos de recessão anteriores, quando investimentos em pesquisa e desenvolvimento tenderam a cair precipitosamente, este período revelou uma resiliência notável nos sistemas de inovação, especialmente naqueles setores cuja contribuição foi essencial para a resposta à crise. Mas esta constatação carrega uma questão incômoda: se a inovação se mostrou resiliente, por que muitas economias ainda enfrentam obstáculos para transformar esse potencial em desenvolvimento consistente e equitativo?


O índice de 2021 que analisa 132 economias fornece evidências contundentes sobre a capacidade dos sistemas de inovação em absorver choques econômicos severos. Publicações científicas cresceram 7,6 por cento em 2020. Investimentos governamentais em pesquisa continuaram a crescer. Depósitos internacionais de patentes atingiram recorde histórico, com expansão de 3,5 por cento, impulsionada especialmente por tecnologia médica, medicamentos e biotecnologia. Operações de capital de risco cresceram 5,8 por cento, superando a taxa média de crescimento dos dez anos anteriores. Esses números desafiam narrativas simplistas sobre o impacto destrutivo da crise na criatividade humana. Simultaneamente, porém, revelam uma verdade mais complexa: nem toda inovação se distribui uniformemente, nem todos os setores e regiões se beneficiam dessa resiliência.

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A divergência entre setores é reveladora. Empresas cuja inovação estava no coração das medidas de contenção e mitigação da pandemia – software, tecnologia da informação e comunicação, equipamentos elétricos e biotecnologia – intensificaram seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Aquelas cujos modelos dependem de atividades presenciais e deslocamento – transportes, turismo, viagens – reduziram seus investimentos. Esse padrão ilustra um princípio fundamental: a inovação não emerge de um vácuo, mas responde aos sinais de mercado, políticas governamentais e necessidades sociais imediatas. A pandemia, portanto, não apenas testou a resiliência da inovação, mas também redefiniu suas prioridades e direções.


Quando se examina a geografia global da inovação, o quadro torna-se ainda mais desafiador. Apenas um reduzido conjunto de economias mantém posição de liderança consistente. Suíça, Suécia, Estados Unidos e Reino Unido permaneceram entre os cinco primeiros por três anos consecutivos. A maioria das economias inovadoras entre as 25 melhores são originárias da Europa e América do Norte. Essa concentração de capacidade inovadora em determinadas regiões não é acidental; reflete décadas de investimento em educação, infraestrutura, instituições estáveis e mercados sofisticados. Mas levanta questões sobre sustentabilidade política e viabilidade de modelos de desenvolvimento que dependem da inovação importada.

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Há, contudo, movimento em direção a uma reconfiguração mais dinâmica da paisagem global de inovação. Economias de renda média começam a desafiar a hegemonia dos atores tradiconais. A região da Ásia Oriental, Sudeste Asiático e Oceania apresenta a dinâmica mais acelerada dos últimos dez anos, fechando gradualmente o hiato com América do Norte e Europa. Cinco economias asiáticas figuram entre as 15 mais inovadoras globalmente. China consolidou-se como única economia de renda média entre as 30 melhores, demonstrando avanços notáveis especialmente em indicadores de resultado da inovação. Mas mesmo aqui, a história é matizada: enquanto China excede em produção de patentes e marcas registradas, fica atrás em capital humano especializado e sofisticação institucional. O caminho para a liderança inovadora sustentável não é linear nem reversível facilmente.


Um fenômeno particularmente intrigante é a emergência de economias que superam expectativas relativas ao seu nível de desenvolvimento. Índia, Quênia, República da Moldávia e Vietnã mantêm esse status há onze anos consecutivos. Neste ano, Brasil, Irã e Peru alcançam esse patamar pela primeira vez, sinalizando potencial para transformações mais profundas. Essas economias demonstram que desenvolvimento inovador não é exclusividade das nações mais ricas, mas depende fortemente de escolhas políticas, prioridades governamentais e alinhamento estratégico de recursos. O fato de que são principalmente economias em desenvolvimento – e frequentemente de grande população – que emergem como inovadores resilientes sugere que a próxima década pode testemunhar reconfiguração significativa.


Porém, a resiliência não deve ser confundida com êxito estrutural. Muitas economias enfrentam desafios profundos em traduzir insumos de inovação em resultados mensuráveis. Alguns países de renda alta investem abundantemente em pesquisa, mas falham em converter essas pesquisas em produtos, serviços ou modelos de negócio inovadores. O Catar, por exemplo, apresenta ranking mais alto em insumos de inovação do que em resultados, sugerindo que capital financeiro e infraestrutura, por si sós, são insuficientes. Inversamente, a República Tcheca produz níveis de resultado similares a Singapura e Japão com significativamente menos insumo, indicando que eficiência de conversão depende também de qualidade institucional, ambiente de mercado e capacidade de colaboração.


Os dados sobre investimento em pesquisa e desenvolvimento merecem escrutínio particular. Mundialmente, investimentos em  P&D -  Pesquisa e Desenvolvimento (ou I&D - Investigação e Desenvolvimento), atingiram pico histórico pouco antes da pandemia, crescendo 8,5 por cento em 2019 – muito acima do crescimento do produto interno bruto, que ficou em 2,4 por cento. Isso reflete confiança de governos e empresas em que a inovação é motor de competitividade e crescimento. Quando a pandemia eclodiu, esperava-se contração similar à observada nas crises dos anos 1990 e 2000. Dados corporativos de 2020, contudo, mostram resiliência inesperada: sessenta por cento das maiores empresas de P&D do mundo reportaram aumento de investimentos. Governos continuaram expandindo orçamentos para pesquisa. Essa resiliência fiscal e corporativa em período de incerteza extrema levanta questões sobre como foram alocados recursos e se toda essa inovação se traduziu em benefícios sociais equitativos.

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O campo da saúde global ilustra tanto as promessas quanto as tensões da inovação contemporânea. Desenvolvimento de vacinas contra covid-19 em tempo recorde – dezesseis meses do surgimento do patógeno à administração em larga escala – representou um triunfo extraordinário. Tecnologias de ácido ribonucleico mensageiro, que haviam recebido investimento por duas décadas, encontraram aplicação emergencial e salvaram milhões de vidas. Simultaneamente, however, disparidades no acesso global às vacinas revelaram que inovação, por brilhante que seja, não automaticamente resolve inequidades. Economias pobres e de renda média enfrentaram anos de espera por acesso aos mesmos tratamentos que economias ricas desfrutavam semanas após aprovação.


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A transformação digital acelerou-se sob pressão da pandemia, particularmente em saúde. Telemedicina, prontuários eletrônicos, aplicações de monitoramento remoto e plataformas de diagnóstico assistido por inteligência artificial expandiram-se rapidamente. Essas inovações promovem eficiência e melhor acesso em alguns contextos; em outros, aprofundam desigualdades digitais existentes. Populações sem conectividade confiável, alfabetização digital limitada ou acesso a dispositivos apropriados veem-se excluídas de sistemas inovadores. A pergunta que persiste é se inovação em saúde está sendo desenvolvida e implementada com atenção suficiente à equidade e inclusão, ou se segue lógicas puramente comerciais que priorizam mercados lucrativos.


Propriedade intelectual emerge como eixo crítico nesse contexto. O índice rastreia pedidos internacionais de patentes, marcas registradas, desenhos industriais e indicadores de difusão de conhecimento. A concentração de propriedade intelectual em economias desenvolvidas permanece pronunciada, embora China tenha feito avanços notáveis. Quando conhecimento e tecnologia são protegidos por regime restritivo de propriedade intelectual, surgem tensões entre incentivos a inovadores e acesso ao conhecimento por parte da sociedade. Medicamentos patenteados, técnicas proprietárias e tecnologias fechadas criam barreiras que afetam particularmente economias de renda baixa e média. Reguladores, legisladores e sociedade civil enfrentam pressão crescente para repensar equilíbrio entre proteção de inovadores e bem público.


A questão do capital humano é mais premente ainda. Inovação de qualidade exige pesquisadores treinados, engenheiros competentes, cientistas de dados sofisticados e profissionais capazes de transformar ideias em aplicações práticas. Economias que aumentam sistematicamente investimento em educação avançada, que atraem talentos internacionais e que valorizam trabalho técnico e criativo tendem a ascender em rankings globais de inovação. Inversamente, aquelas que negligenciam educação, que veem êxodo de talentos ou que não remunem adequadamente profissionais qualificados acumulam desvantagens crescentes. A educação não é apenas insumo passivo; é decisão política carregada de ideologia sobre que tipo de futuro uma sociedade quer construir.


Os clusters de ciência e tecnologia fornecem lentes úteis para entender dinâmicas espaciais da inovação. Tóquio-Yokohama continua como o cluster mais produtivo globalmente, seguido por Shenzhen-Hong Kong-Guangzhou e Beijing. Mas a composição entre os 100 principais clusters está mudando. Clusters chineses apresentam crescimento mais pronunciado em produção científica e tecnológica. Novos centros emergem em Delhi, Mumbai e Istambul. Esses aglomerados não surgem aleatoriamente; resultam de investimento público deliberado, políticas de atração de talentos, incentivos fiscais e, frequentemente, disposição de governos de tolerar experimentação e aceitarem fracassos como parte do processo inovador. O que distingue Silicon Valley de dezenas de outras tentativas de criar "hubs" de inovação é menos geografia natural do que decisões políticas cumulativas ao longo de décadas.

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Regulação e inovação habitam tensão permanente. Marcos regulatórios podem estimular ou sufocar criatividade, dependendo de como são desenhados. Regulação excessiva que impõe barreiras burocráticas à entrada de novos atores desestimula inovação. Regulação inadequada que negligencia segurança, privacidade ou impacto ambiental permite inovação destrutiva. Setores altamente regulados – como saúde, energia, finanças – enfrentam dilema particular: como inovar rápido em um contexto que demanda validação científica, aprovação governamental e monitoramento pós-mercado rigoroso? A resposta não está em desregulação indiscriminada, mas em regulação inteligente que evolui junto com tecnologia, que incorpora aprendizado contínuo e que mantém foco explícito em equidade e bem público.


O panorama pós-pandemia sugere que inovação responsável deixa de ser conceito abstrato para se tornar imperativo prático. Lideranças públicas e privadas enfrentam pressão de conciliar competitividade, sustentabilidade econômica e impacto social positivo. Isso inclui repensar inovação não apenas como diferencial de mercado, mas como instrumento potencial de redução de desigualdades, fortalecimento de sistemas e promoção de bem-estar. Para isso, é necessário que recursos, poder decisório e benefícios sejam distribuídos com maior equidade. Inovação que beneficia apenas pequena elite de acionistas e consumidores abastados não é legítima em democracias que aspiram a universalidade de direitos.


O tempo entre invenção e adoção também merece atenção crítica. Ciclos de desenvolvimento tecnológico em algumas frentes – inteligência artificial, biotecnologia, energia renovável – estão acelerando. Ciclos regulatórios e de adoção institucional frequentemente permanecem lentos. Essa assimetria cria tensões: pressão por acelerar acesso a soluções inovadoras em conflito com necessidade de garantir segurança, eficácia e custo-benefício em ambientes de complexidade extrema. A solução não está em escolher um extremo, mas em reconhecer que diferentes contextos exigem velocidades diferentes. Vacinas exigem urgência diferente de medicamentos para doenças crônicas. Algoritmos de diagnóstico exigem rigor de validação distinto de aplicativos de bem-estar. Reguladores e inovadores precisam trabalhar juntos para estabelecer processos que permitam rapidez sem negligenciar segurança.


Finalmente, o índice funciona como espelho para lideranças públicas e privadas confrontarem questões desconfortáveis sobre suas prioridades efetivas. Entre discurso sobre inovação como estratégia nacional e alocação real de orçamentos há frequentemente abismos. Entre proclamações sobre inovação responsável e práticas concretas de governança, há desconexões. Entre objetivos de inovação inclusiva e resultado que concentra benefícios em grupos privilegiados, há hiatos. O índice não resolve essas contradições, mas as expõe com clareza que merece respostas.


A paisagem de inovação global em 2021 é, portanto, mais dinâmica e menos previsível do que em períodos anteriores. Economias tradiconais de inovação mantêm vantagens, mas enfrentam desafios crescentes. Economias emergentes demonstram potencial e resiliência. Tecnologias de fronteira abrem possibilidades extraordinárias para resolver desafios humanos. Simultaneamente, riscos éticos, sociais e ambientais proliferam. Nesse contexto, questão central não é mais se inovação acontecerá – claramente acontecerá. Questão fundamental é se será inovação ao serviço de humanidade como um todo, ou se continuará concentrada em interesses de poucos. A resposta dependerá de escolhas que sociedades fazem hoje sobre prioridades, regulação, distribuição de recursos e visão de futuro que desejam construir.


Sim, nós sabemos, nós sabemos, nós sabemos…


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