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2020 | Pharm Exec’s Top 50 Pharma Companies - As Top 50 Principais Empresas da Pharm Exec

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Série: Consultores, Propagandistas e Representantes


O Setor Farmacêutico sob a Sombra da COVID-19


O ranking anual das 50 maiores empresas da Indústria Farmacêutica global, baseado na receita de medicamentos prescritos e elaborado em parceria com a firma de inteligência de mercado Evaluate Ltd — incluindo também os totais de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) —, apresentou em 2020 sua vigésima edição em um contexto histórico singular. Com grande parte da atenção mundial voltada para a crise global da COVID-19, e governos, comunidades de saúde e entidades diversas concentrados nos esforços de resposta, recursos e pesquisa para conter a pandemia, a análise do desempenho comercial do setor biofarmacêutico adquiriu uma dimensão ainda mais estratégica e reveladora.



A pandemia evidenciou, de forma inédita, o escopo e a força necessários para combater não apenas doenças como o câncer ou condições crônicas debilitantes, mas também surtos virais imprevisíveis — como a própria COVID-19, o Ebola, a gripe suína e o HIV/AIDS anteriormente, bem como os inevitáveis eventos pandêmicos futuros. Muitas das companhias presentes no ranking estavam na linha de frente no enfrentamento da crise, atuando por meio de tratamentos, ações de conscientização, educação e pesquisa. Algumas lançaram iniciativas próprias; diversas trabalharam de forma colaborativa — a exemplo do consórcio COVID-19 Therapeutics Accelerator, composto por 12 organizações presentes no ranking —; e outras firmaram parceria com governos, como o acordo entre a AstraZeneca e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (Operation Warp Speed) para acelerar o desenvolvimento e a fabricação de uma vacina contra o coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford.


A capacidade coletiva dessas companhias de gerar receitas e sustentar investimentos é o que, em última análise, viabiliza a transformação de novas descobertas científicas e inovações promissoras em produtos aprovados e em avanços terapêuticos relevantes. O comprometimento de US$ 500 milhões da Pfizer, no início de junho de 2020, para uma série de biotecnológicas em estágio clínico — com acesso aos recursos da empresa em pesquisa, desenvolvimento clínico e manufatura — exemplifica esse papel estruturante.



Impacto Financeiro Limitado da COVID-19 nos Dados de 2019


Construído a partir das receitas anuais de medicamentos prescritos mais recentes disponíveis — referentes ao exercício fiscal de 2019 —, o ranking de 2020 teve influência financeira ainda reduzida da pandemia. Ainda assim, o top 10 vivenciou sua maior reconfiguração em vários anos, impulsionada em parte por um par de megafusões de alto impacto.



As Líderes do Ranking: Top 10 em Vendas de Rx

2020 | Pharm Exec’s Top 50 Pharma Companies - As Top 50 Principais Empresas da Pharm Exec

Roche — 1ª Posição


A Roche encerrou um reinado de quatro anos da Pfizer na liderança do ranking, ao registrar crescimento de 8,3% nas vendas de medicamentos prescritos e avançar uma posição. O Avastin — responsável por 15% da receita farmacêutica total da companhia — permaneceu como o produto mais vendido, embora enfrente, assim como o Herceptin e o Rituxan, a crescente concorrência de biossimilares nos anos seguintes.


Entre os principais motores de crescimento da Roche destacam-se o Ocrevus (esclerose múltipla), o Hemlibra (hemofilia) e os oncológicos Tecentriq e Perjeta. Em um feito raro entre as grandes farmacêuticas, a Roche conquistou simultaneamente o primeiro lugar em receita de medicamentos e em investimento em P&D, destinando US$ 10,3 bilhões à pesquisa — sendo a única empresa a superar dois dígitos bilionários nessa métrica.



Novartis — 2ª Posição


A Novartis avançou da terceira para a segunda posição, com crescimento de 6% nas vendas de medicamentos. Em janeiro de 2020, a companhia concluiu a aquisição da The Medicines Company por US$ 9,7 bilhões, incorporando o inclisiran — uma potencial terapia de primeira classe para redução do colesterol, baseada no mecanismo natural de silenciamento de RNA do organismo.


O medicamento para insuficiência cardíaca Entresto cresceu 74% no quarto trimestre de 2019, atingindo US$ 1,7 bilhão no ano — e US$ 569 milhões somente no primeiro trimestre de 2020. A terapia gênica Zolgensma, lançada em junho de 2019 para atrofia muscular espinhal, consolidou momentum no mercado, com pagadores demonstrando disposição para custear o tratamento de dose única, mesmo em razão de seu alto custo.



Pfizer — 3ª Posição


A Pfizer recuou duas posições, para terceiro lugar, em razão de queda de 3,6% nas vendas de Rx — reflexo, em parte, da deterioração das receitas de Lyrica (dor neuropática) no quarto trimestre, com diversas versões genéricas concorrentes disponíveis. Em contrapartida, o Ibrance (câncer de mama) registrou crescimento de 20,5%, e a empresa projetava crescimento adicional de marcas como Eliquis, Xeljanz, Xtandi e Inlyta, além de lançamentos recentes e esperados — como Vyndaqel/Vyndamax, Braftovi, Mektovi e biossimilares oncológicos. Em julho de 2019, a companhia concluiu a aquisição da Array BioPharma, focada em oncologia, por US$ 11,4 bilhões.



Merck & Co. — 4ª Posição


A Merck registrou crescimento de 9,5% nas vendas de Rx, impulsionada pelo desempenho do Keytruda (imunoterapia oncológica), que cresceu 54,5%, atingindo US$ 11,1 bilhões — fruto da acumulação contínua de aprovações para novas indicações terapêuticas. O investimento em P&D posicionou a Merck em terceiro lugar nessa métrica.



Bristol Myers Squibb — 5ª Posição


A BMS avançou expressivamente da 11ª para a 5ª posição, impulsionada pela incorporação de estimativas de receita de Rx da Celgene — adquirida por US$ 74 bilhões em novembro de 2019, após anúncio em janeiro do mesmo ano. O Revlimid, medicamento de referência da Celgene para mieloma múltiplo, liderou o portfólio combinado com quase US$ 11 bilhões em vendas. O Eliquis, anticoagulante produzido em parceria com a Pfizer, registrou crescimento de 23% ano a ano; e no primeiro trimestre de 2020, impulsionado pela demanda relacionada à COVID-19, o produto cresceu 37%, para US$ 2,6 bilhões. Juntas, BMS e Celgene investiram cerca de US$ 9,4 bilhões em P&D, ocupando a segunda posição nessa métrica.


A Johnson & Johnson e a Merck ocuparam, respectivamente, o terceiro e o quarto lugares em investimento em P&D. A J&J foi reconhecida, no início de 2020, pela consultoria independente de avaliação de marcas Brand Finance como a farmacêutica de maior valor de marca do ano — em razão de seu robusto portfólio de P&D, notadamente em antimicrobianos. A empresa foi uma das primeiras a anunciar o desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus durante o surto na China.



AbbVie — 8ª Posição


A AbbVie, que ocupava a 8ª colocação no período analisado, havia concluído recentemente — no mês anterior à publicação do ranking — a aquisição da Allergan (então classificada em 18º lugar) por US$ 62 bilhões, com projeções de elevação da empresa para o grupo das cinco primeiras colocadas no ciclo seguinte.



Takeda — 10ª Posição


A Takeda consolidou sua entrada no top 10, avançando da 16ª para a 10ª posição, impulsionada pela integração da Shire. Em seu primeiro ano fiscal completo após a aquisição de US$ 62 bilhões, a farmacêutica japonesa registrou crescimento de 67,8% na receita de medicamentos prescritos.



Fusões, Aquisições e o Cenário de M&A em 2020


A pandemia de COVID-19 paralisou a conclusão de diversas transações de fusão e aquisição no setor de saúde que haviam sido anunciadas antes do surto. Operações mais recentes — como a aquisição da biotecnológica oncológica Forty Seven pela Gilead, em março de 2020 — foram realizadas possivelmente antes de a extensão total da crise ser plenamente compreendida, embora se avaliasse que fossem menos vulneráveis à disrupção gerada pela pandemia.


Independentemente das incertezas em M&A, as grandes farmacêuticas mantinham perspectivas relativamente otimistas para o restante de 2020 — considerando tanto o contexto pandêmico quanto a proximidade das eleições presidenciais nos Estados Unidos. A Merck foi a única empresa que, até meados de maio, havia reduzido sua projeção de receita anual (em US$ 1,7 bilhão). Entre as companhias que reportaram crescimento significativo de demanda em 2020, destacaram-se BMS, Novartis, GSK e Lilly.



Destaques Adicionais do Ranking


Fora do top 10, merecem atenção as seguintes movimentações:


Astellas Pharma (Japão, 19ª posição): avanço de quatro posições.


Incorporação de quatro empresas asiáticas: Meiji Holdings (Japão, 27ª), Yunnan Baiyao Group (China, 37ª), Shanghai Pharmaceuticals Holding (China, 48ª) e Aurobindo Pharma (Índia, 50ª).


Regeneron Pharmaceuticals (31ª posição): avanço da 38ª posição, com crescimento de 18% nas vendas de Rx e elevação de 19% no investimento em P&D — posicionando a empresa em 17º lugar nessa métrica.



Pesquisa e Desenvolvimento em Tempos de Pandemia


A pandemia de COVID-19 — e as restrições sanitárias e medidas de quarentena adotadas por estados e países — causou perturbações significativas nos estudos clínicos em andamento para doenças não relacionadas à COVID. Paralelamente, a pesquisa por terapias e vacinas contra o coronavírus avançou em ritmo acelerado, com múltiplos projetos submetidos a prazos exigentes.


Dados de fase III divulgados para o remdesivir, tratamento experimental da Gilead utilizado sob autorização de uso emergencial da FDA, demonstraram eficácia: os resultados indicaram que o medicamento foi mais efetivo em pacientes submetidos a regime de cinco dias do que naqueles que o utilizaram por período duas vezes maior ou nos que receberam o padrão de cuidado convencional. Os dados clínicos completos, com avaliação de outros endpoints críticos, ainda não haviam sido divulgados.


Mais de 175 candidatos a vacinas estavam em desenvolvimento, abrangendo uma ampla diversidade de plataformas tecnológicas. A mRNA-1273, da Moderna Therapeutics, figurava como o candidato de maior proeminência naquele momento, embora as grandes farmacêuticas estivessem amplamente engajadas tanto no desenvolvimento quanto na manufatura dessas soluções. Além da AstraZeneca e da J&J, projetos relevantes de vacinas foram lançados por Merck, Pfizer, Sanofi e GSK.


A Regeneron desenvolvia um "coquetel de anticorpos" para o tratamento do coronavírus. O teste de anticorpos para COVID-19 da Roche, que recebeu autorização de uso emergencial, apresentava perspectiva de implantação em mais de 200 laboratórios comerciais e hospitalares nos Estados Unidos nas semanas seguintes à publicação do ranking.



Considerações Finais


O ranking de 2020 das 50 maiores empresas biofarmacêuticas globais oferece um retrato do setor em um momento de transição histórica: por um lado, a consolidação de estratégias comerciais robustas — por meio de fusões transformadoras, expansão de portfólios terapêuticos e liderança em P&D —; por outro, a emergência de uma responsabilidade coletiva sem precedentes diante da pandemia. A conjunção desses fatores reforça o papel estrutural da Indústria Farmacêutica não apenas como geradora de valor econômico, mas como agente fundamental na resposta a crises sanitárias globais e no avanço sustentado da inovação em saúde.


Logo abaixo estão reunidos TODOS os artigos referentes aos respectivos anos:




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O Setor Biofarmacêutico no Ano da COVID-19


O ranking anual das 50 maiores empresas biofarmacêuticas globais, elaborado com base nas vendas de medicamentos prescritos e com dados fornecidos em parceria com a firma de inteligência de mercado Evaluate Ltd — incluindo também os totais de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de cada companhia —, reflete o desempenho do setor durante um dos períodos mais desafiadores de sua história recente. O recorte temporal analisado foi amplamente influenciado pela pandemia de COVID-19, que impôs às empresas farmacêuticas uma dupla exigência: manter e expandir suas operações comerciais, ao mesmo tempo em que respondiam a uma crise sanitária global sem precedentes.



Os desafios operacionais foram múltiplos: implementação de políticas de trabalho remoto em escala, interrupções nas cadeias de suprimentos e logística em razão do fechamento de fronteiras, e mudanças profundas nas dinâmicas de relacionamento com pacientes e profissionais de saúde. Em pesquisa conduzida pela empresa Model N com executivos de alto escalão do setor farmacêutico, 58% dos respondentes apontaram a pandemia como o fator de maior impacto sobre a gestão de receitas em suas organizações.


Do ponto de vista do valor de mercado, o desempenho das empresas em 2020 foi heterogêneo e nem sempre atrelado diretamente à presença de produtos COVID no portfólio. Dados compilados pela GlobalData indicam que a AbbVie — sem produtos relevantes voltados à COVID-19 — registrou o maior crescimento percentual de capitalização de mercado entre as dez maiores farmacêuticas globais: 44,4% em termos anuais. A Eli Lilly, que obteve autorização de uso emergencial para seu coquetel de anticorpos contra COVID em fevereiro, viu sua capitalização crescer 28%. A Roche, com forte presença em diagnósticos para COVID-19, e a Regeneron, fabricante de outro coquetel de anticorpos, também registraram aumentos expressivos de valor de mercado.


Embora os resultados de valorização tenham variado entre empresas como Pfizer, Johnson & Johnson, AstraZeneca e Gilead Sciences — todas envolvidas no desenvolvimento acelerado de vacinas ou terapias contra a COVID-19 —, a pandemia se mostrou, em termos gerais, favorável ao desempenho financeiro da indústria farmacêutica. Esse cenário foi evidenciado tanto pelo fluxo de capital para o setor quanto pela valorização das ações. Relatório da consultoria independente de avaliação de marcas Brand Finance apontou crescimento no valor de marca de 6% para a Pfizer, 18% para a AstraZeneca e 58% para a chinesa Sinopharm, como resultado direto da corrida por vacinas.



As Líderes do Ranking: Top 10 em Vendas de Rx


Roche — 1ª Posição


A Roche manteve a liderança pelo segundo ano consecutivo, ainda que sua receita de medicamentos prescritos tenha recuado 1,6%. O anticorpo monoclonal Ocrevus, indicado para esclerose múltipla (EM), ascendeu à segunda posição entre os produtos mais vendidos da companhia, com receita de US$ 4,6 bilhões em 2020, deslocando o histórico Herceptin do trio de líderes. Outros medicamentos recentemente lançados — Tecentriq, Perjeta e Kadcyla, para oncologia, e Hemlibra, para hemofilia — apresentaram crescimento consistente, contribuindo para compensar a concorrência de biossimilares.


A Roche também se manteve como a maior investidora em P&D do setor, destinando US$ 11,3 bilhões à pesquisa — crescimento de 9,8% em relação ao ano anterior. A companhia contava com 19 novos compostos em fase III de ensaios clínicos ou em processo de aprovação regulatória.


Novartis — 2ª Posição


A Novartis manteve a segunda colocação, com crescimento de 2,4% nas vendas de Rx, atingindo US$ 47,2 bilhões. O medicamento Entresto, indicado para insuficiência cardíaca crônica (ICC), continuou sua trajetória ascendente, com crescimento de 45% em 2020, atingindo US$ 2,5 bilhões — e expansão adicional de 34% no primeiro trimestre de 2021. Em fevereiro, a FDA concedeu ampliação de indicação ao produto para abranger a maioria dos pacientes com ICC, incluindo adultos com fração de ejeção reduzida ou preservada. O biológico Cosentyx, principal produto da empresa, recebeu aprovação para o tratamento de psoríase em placas em pacientes pediátricos.


AbbVie — 3ª Posição


A AbbVie avançou da 8ª para a 3ª posição, impulsionada pela incorporação dos ativos da Allergan após o fechamento da aquisição em 8 de maio de 2020. As vendas totais de Rx saltaram 37%, para US$ 44,3 bilhões. A empresa ainda detém o produto de maior receita global em imunologia: o Humira, com vendas próximas a US$ 20 bilhões em 2020 — representando aproximadamente 45% do total de vendas de medicamentos da AbbVie, uma das maiores dependências de produto único entre as grandes farmacêuticas globais.


Com a expiração da patente do Humira prevista para 2023 e o consequente início da concorrência de biossimilares, a companhia aposta nos medicamentos de nova geração Skyrizi e Rinvoq para compensar as perdas futuras. Aprovados para psoríase e artrite reumatoide, respectivamente, os dois produtos somaram US$ 2 bilhões em vendas em 2020, com projeções corporativas de US$ 15 bilhões combinados até 2025.


O Skyrizi, inibidor de IL-23, encontrava-se em fase avançada de testes para doença de Crohn, artrite psoriásica e colite ulcerativa — com resultados positivos em fase III para Crohn reportados em dois estudos distintos de dosagem. O Rinvoq, inibidor de JAK, avançava em indicações para dermatite atópica (com resultados superiores ao placebo em três estudos de fase III), espondilite anquilosante e artrite psoriásica.


Johnson & Johnson — 4ª Posição


A J&J registrou crescimento de 7,7% na receita de medicamentos prescritos, avançando duas posições para o 4º lugar. A companhia foi amplamente reconhecida por seu papel na resposta à pandemia por meio do desenvolvimento de vacina contra COVID-19 pela unidade Janssen. O investimento em P&D somou US$ 9,563 bilhões, posicionando a J&J como a segunda maior investidora no setor.


Bristol Myers Squibb — 5ª Posição


A BMS manteve a quinta colocação, com crescimento de 3% nas vendas de Rx, atingindo US$ 41,9 bilhões. Dois novos eventos regulatórios posicionaram a empresa para ganhos futuros: a aprovação da FDA para o Zeposia no tratamento de adultos com colite ulcerativa moderada a grave (produto já comercializado para formas recidivantes de EM); e a aprovação do Opdivo — com US$ 7 bilhões em vendas em 2020 e inibidor de PD-1 concorrente do Keytruda da Merck — como adjuvante para câncer esofágico ou da junção gastroesofágica. Em pesquisa clínica, o candidato experimental relatlimab demonstrou, em combinação com o Opdivo, extensão significativa do tempo até progressão em melanoma avançado, em comparação com o Opdivo como monoterapia. O investimento em P&D da BMS foi de US$ 9,237 bilhões, posicionando a empresa em terceiro lugar nesse indicador.


Merck — 6ª Posição


A Merck recuou duas posições, para 6º lugar, embora tenha registrado crescimento de 1,3% nas vendas de Rx. Seu investimento em P&D somou US$ 9,231 bilhões. A companhia possui candidato a vacina pneumocócica em fase avançada de desenvolvimento.


Sanofi — 7ª Posição


A Sanofi ocupou a sétima colocação, com crescimento de 2,5% na receita em relação ao ano anterior.


Pfizer — 8ª Posição


A Pfizer recuou cinco posições para o 8º lugar em vendas de Rx, resultado notável dado o papel central da companhia no desenvolvimento, em parceria com a biofarmacêutica alemã BioNTech, da primeira vacina de uso emergencial contra COVID-19. O investimento em P&D totalizou US$ 8,884 bilhões, com candidato a vacina pneumocócica em fase avançada, assim como a Merck. A reversão de posições no ranking reflete o período de transição antes que as receitas da vacina Comirnaty se materializassem integralmente nas demonstrações financeiras anuais.


GlaxoSmithKline — 9ª Posição


A GSK manteve-se entre as dez maiores, com planos de cisão da organização em duas unidades distintas no ano seguinte. A companhia anunciou a venda de sua participação total na parceira em medicamentos respiratórios Innoviva — empresa de gestão de royalties — por aproximadamente US$ 392 milhões.


Takeda — 10ª Posição


A Takeda encerrou o top 10, apesar de uma queda de 4,6% na receita de Rx. A empresa depositava expectativas em ativos em desenvolvimento para o fortalecimento de seu portfólio nos anos seguintes. O maribavir, ativo estratégico oriundo da aquisição da Shire por US$ 62 bilhões em 2019, recebeu da FDA revisão prioritária e apresentava potencial para tornar-se o único tratamento disponível para infecção refratária por citomegalovírus pós-transplante — a infecção oportunista mais comum em receptores de transplante de fígado. A Takeda planejava seis registros regulatórios ao longo do ano, incluindo um candidato a vacina contra dengue.


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Destaques Adicionais do Ranking


Aprovações regulatórias durante a pandemia: Em 2020, a FDA aprovou 57 novos medicamentos — número superior ao de 2019 —, demonstrando resiliência regulatória mesmo em contexto de crise. Análise da Evaluate Vantage identificou potencial de vendas de US$ 21,5 bilhões no quinto ano para esses medicamentos, cifra comparável à de anos pré-pandêmicos.


Impacto nos ensaios clínicos: Levantamento da Deloitte revelou que, entre março e novembro de 2020, dos 1.210 estudos clínicos impactados pela pandemia, a maioria (66%) sofreu atrasos no início ou na conclusão, e 8% foram encerrados antes mesmo de recrutar qualquer paciente. Do total afetado, 29% eram estudos de fase III — com potencial impacto sobre lançamentos futuros. Em contrapartida, dados da IQVIA apontaram que o financiamento de P&D em fases iniciais e avançadas, bem como as atividades de licenciamento e parcerias, cresceram significativamente em 2020, com o gasto agregado em P&D entre as 15 maiores companhias atingindo novo recorde histórico.



Outros destaques do ranking:


Viatris (19ª posição): empresa resultante da fusão entre a Mylan e a divisão Upjohn da Pfizer, estreou no ranking como nome até então desconhecido entre as líderes globais.


Vertex Pharmaceuticals (26ª posição): avanço expressivo de 13 posições (da 39ª), com crescimento de 49% nas vendas de Rx, impulsionado pelo Trikafta — novo medicamento para fibrose cística que gerou US$ 3,9 bilhões em 2020.


Regeneron (28ª posição): avançou três posições com crescimento de 15% na receita de medicamentos prescritos, impulsionada por seu coquetel de anticorpos contra COVID-19.


Jiangsu Hengrui Medicine — China (38ª posição): gerou mais de US$ 880 milhões adicionais em vendas de Rx em 2020 em comparação com 2019.


Novos ingressantes no ranking: CSPC Pharmaceutical Group (China, 42ª posição) e STADA Arzneimittel (Índia, 50ª posição).



Considerações Finais


O desempenho do setor biofarmacêutico em 2020 demonstrou uma capacidade notável de adaptação e resiliência diante de um cenário de ruptura global. A pandemia de COVID-19 funcionou simultaneamente como catalisador de inovação acelerada — especialmente em plataformas vacinais e terapias antivirais — e como fator de pressão sobre operações, cadeias de suprimentos e modelos de engajamento com o mercado. O equilíbrio entre a geração de valor comercial e a contribuição ao bem público revelou-se um elemento central da estratégia corporativa das principais organizações do setor, consolidando a relevância da inovação biofarmacêutica como vetor tanto de retorno financeiro quanto de impacto sanitário global.



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