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O que é a "Farmácia Infraestrutura de Saúde" e por que ela muda tudo no varejo farma

O que é a "Farmácia Infraestrutura de Saúde" e por que ela muda tudo no varejo farma
#BrazilSFE #Farmácia #InfraestruturaDeSaúde #VarejoFarmacêutico #IndústriaFarmacêutica #HubDeSaúde #ServiçosFarmacêuticos #Vacinação #FarmáciaPopular #AtençãoPrimária #Capilaridade #SellOut


Série: Consultores, Propagandistas e Representantes


Antes de discutir formatos de loja ou mix de produtos, é preciso nomear corretamente o que está acontecendo com o canal farmacêutico. A farmácia brasileira deixou de ser um simples ponto de venda de medicamentos e passou a operar como infraestrutura de acesso à saúde, o conjunto físico e logístico mais próximo do cidadão capaz de oferecer prevenção, diagnóstico e acompanhamento. Para a indústria farmacêutica, compreender essa mudança de natureza é a diferença entre tratar o canal como mero escoadouro de caixas e enxergá-lo como plataforma de geração de valor clínico e comercial.


Nenhum outro elo da cadeia de saúde possui a capilaridade da farmácia. O país conta com cerca de 90 mil unidades distribuídas por praticamente todo o território, presença que supera a soma de muitos equipamentos públicos de atenção. Essa densidade transforma cada balcão em um possível ponto de atenção primária, e é justamente essa malha que sustenta a ideia de infraestrutura: não se trata de uma loja isolada, mas de uma rede nacional de acesso.


Definir a farmácia como infraestrutura significa reconhecer que ela cumpre função antecipadora ao sistema tradicional. Em 2025, as farmácias clínicas realizaram mais de 10 milhões de serviços de saúde, distribuídos em 6,8 milhões de atendimentos por mais de 1.500 municípios, com 133 tipos de serviços diferentes ofertados. Para o gestor da indústria, esse volume revela um canal que já não vive apenas da dispensação, e que abre espaço para portfólios conectados a serviços.


Reposicionar o olhar exige dados de escala. As 29 maiores redes associadas à Abrafarma operam 9.248 salas clínicas e mantiveram média diária de 40 mil atendimentos no primeiro trimestre de 2026. Cada uma dessas salas é um ambiente onde o paciente recebe orientação, realiza exames rápidos e toma decisões de tratamento, momentos de altíssimo valor para a indústria que souber estar presente com informação qualificada.


É a vacinação o exemplo mais eloquente dessa virada. O serviço cresceu 56% em doses aplicadas em 2025 e se consolidou como o de maior ticket médio e maior margem dentro da farmácia, com destaque para imunizantes de herpes-zóster, pneumocócicas e HPV. A indústria de vacinas que enxerga a farmácia como infraestrutura de imunização, e não como simples revenda, captura demanda recorrente e qualificada.


Longe de ser uma tendência passageira, o movimento é estrutural e ancorado em comportamento. O consumidor pós-pandemia passou a valorizar prevenção e conveniência, buscando resolver demandas de saúde perto de casa, sem filas e com agendamento. Exames de dengue chegaram a crescer mais de vinte vezes e testes rápidos relacionados a quadros respiratórios multiplicaram-se, sinal de que o paciente já elegeu o balcão como primeira porta.


Um dado financeiro ajuda a dimensionar a relevância do canal. O varejo farmacêutico movimentou cerca de R$ 114,8 bilhões no período mais recente, com crescimento puxado pela diversificação do mix para além do medicamento, incluindo dermocosméticos, saúde sexual, cuidados ao paciente e autosserviço. Para a indústria, isso significa que a infraestrutura comporta categorias inteiras de receita ainda subexploradas.


Integração é a palavra que separa a farmácia-loja da farmácia-infraestrutura. Operadoras, convênios e programas de suporte ao paciente já começam a direcionar pacientes para o balcão, criando fontes de receita recorrente e fortalecendo parcerias. Quando a indústria farmacêutica conecta seus programas de adesão a essa malha, transforma o ponto de contato em jornada longitudinal de cuidado.


Zelar pela percepção de confiança é parte central dessa nova função. Pesquisas de comportamento mostram que a maioria absoluta dos consumidores já reconhece a farmácia como local que oferece serviços de saúde, e não apenas produtos. Essa confiança é um ativo que a indústria pode ativar, posicionando suas marcas no exato momento em que o paciente decide cuidar de si.


Base regulatória robusta sustenta a transformação. A linha do tempo recente vai da intercambialidade de similares e informatização do SNGPC à autorização para vacinação, exames clínicos e, mais recentemente, prescrição eletrônica e telemedicina. Cada avanço normativo amplia o escopo legal do canal e cria janelas comerciais que a indústria precisa mapear com antecedência.


Entre os marcos mais decisivos está a ampliação do Programa Farmácia Popular. Desde fevereiro de 2025, o programa passou a oferecer 100% de gratuidade em seu elenco de 41 itens, cobrindo doze indicações terapêuticas que vão de hipertensão e diabetes a asma e anticoncepção. Para a indústria, estar dentro da lista oficial significa acesso direto a milhões de pacientes por meio dessa infraestrutura público-privada.


Recursos públicos crescentes reforçam o peso do programa. O orçamento previsto para 2025 alcançou R$ 4,2 bilhões, aumento de 69% em relação a 2022, e a rede credenciada superou 31 mil farmácias em 4,8 mil cidades, cobertura que alcança 97% da população brasileira. Nenhuma força de vendas tradicional replica sozinha esse alcance territorial.


Novas categorias confirmam que a infraestrutura gera receita além do medicamento de marca. O segmento de suplementos e vitaminas cresceu 37% em volume e 29% em faturamento entre março de 2024 e fevereiro de 2025, impulsionado pela lógica do autocuidado. A indústria que entende a farmácia como infraestrutura de bem-estar diversifica seu portfólio para acompanhar essa demanda.


Acompanhamento longitudinal é o que diferencia o modelo de cuidado completo em um único lugar. A farmácia se posiciona como ponto resolutivo de atenção primária, especialmente em regiões com menor oferta de serviços médicos, oferecendo continuidade ao tratamento. Programas de suporte ao paciente patrocinados pela indústria encontram nesse acompanhamento o terreno ideal para reduzir o abandono terapêutico.


Reconhecer o canal como infraestrutura também exige enxergar seus riscos operacionais. A renovação obrigatória do credenciamento ao Farmácia Popular levou ao descredenciamento de mais de 9 mil unidades em 2025, lembrete de que conformidade e governança são pré-requisitos para operar nessa malha. A indústria que apoia seus parceiros varejistas na gestão de conformidade protege o próprio acesso ao mercado.


Dados e tecnologia são o sistema nervoso dessa infraestrutura. Prontuários eletrônicos integrados, marketplaces de serviços e jornadas digitais conectam farmácias, consultórios e profissionais em um único ecossistema. Para a indústria farmacêutica, essa camada digital é fonte de inteligência de mercado em tempo real sobre adesão, sazonalidade e perfil de demanda.


Estratégia comercial precisa ser redesenhada à luz desse novo papel. Tratar a farmácia como infraestrutura significa migrar do modelo centrado apenas em sell-in para um modelo que valoriza sell-out, serviços e experiência do paciente. O representante deixa de negociar somente volume e passa a coconstruir soluções de cuidado com o varejo.


Saber nomear o fenômeno é o primeiro passo para capturá-lo. Quando a indústria entende que a farmácia se tornou a infraestrutura de acesso à saúde mais próxima do brasileiro, deixa de disputar apenas espaço na gôndola e passa a disputar relevância no próprio ecossistema de saúde, com produto, serviço, informação e experiência integrados em uma só jornada.

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RWE para Marketing Médico: Transformando Dados em Narrativa de Valor

RWE para Marketing Médico: Transformando Dados em Narrativa de Valor
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e-Book | 10 Dicas para se Falar em Público: Comunicando-se Através da Oratória - Série Falar em Público - Livro 1 - André Luiz Bernardes


A era do marketing médico tradicional, baseado apenas em materiais educativos e revisões de estudos clínicos, está se transformando. No Brasil, a combinação de pressão regulatória, demanda por evidência de mundo real e crescente exigência de valor clínico e econômico está forçando a Indústria Farmacêutica a repensar como se comunica com médicos, hospitais e gestores de saúde. A Anvisa já sinaliza que estudos de dados de mundo real podem ser usados em processos de registro, revisão de risco‑benefício e monitoramento, o que abre espaço para que essas mesmas evidências sejam traduzidas em narrativas de valor para o médico assistencial.


O marketing médico hoje não pode mais se limitar a apresentar “efeitos de produto” em populações de estudos clínicos distantes da realidade brasileira. Médicos e gestores de hospitais querem saber como o medicamento se comporta em cenários de uso real, com pacientes com comorbidades, diferentes perfis socioeconômicos e padrões de adesão variáveis. Um relatório de RWE que mostre redução de internações, menor tempo de permanência hospitalar, maior adesão ao tratamento e menor necessidade de intervenções de suporte torna‑se um ativo central para visitas de marketing médico, reuniões com gestores de serviços e discussões com conselhos de farmácia hospitalar.


A Anvisa já define que estudos de dados de mundo real devem ser bem estruturados, com curadoria, rastreabilidade e alinhamento metodológico. Isso significa que a empresa que consegue transformar esses dados em narrativas claras, com gráficos simples, desfechos clínicos relevantes e comparações com a prática atual, está diante de uma janela de oportunidade para diferenciar seu posicionamento. O marketing médico passa a ser mais científico e menos promocional, o que aumenta a credibilidade junto a médicos, comitês de farmácia e gestores de planos de saúde.


Em oncologia, essa mudança é ainda mais evidente. Muitos oncoterápicos chegam ao Brasil com base em estudos conduzidos em outros países, com populações diferentes, sistemas de saúde distintos e padrões de cuidado variados. Um estudo de mundo real que mostre sobrevivência livre de progressão, qualidade de vida e uso de recursos em cenários de prática clínica real, com dados de centros de referência brasileiros, pode ser usado como material de educação médica, apoio a protocolos de uso e justificativa de uso sob demanda.


A área de doenças raras também se beneficia de uma abordagem de marketing médico baseada em RWE. Nesses nichos, muitas vezes os médicos têm pouca experiência prática com o tratamento, e a literatura disponível é limitada. Estudos de dados de mundo real que ilustrem adesão ao tratamento, padrões de uso, eventos adversos e impacto funcional em pacientes brasileiros tornam‑se ferramentas poderosas para educação médica e construção de protocolos de uso em centros de referência. Isso reduz a distância entre o que o médico lê em artigos científicos e o que ele encontra na prática diária.


A farmacovigilância também se integra diretamente à estratégia de marketing médico. Em vez de tratar a segurança como um tópico isolado, a empresa pode usar dados de RWE para reforçar a mensagem de risco‑benefício controlado, mostrando que o produto é monitorado continuamente, com protocolos de rastreamento, relatórios periódicos e sistemas de alerta integrados. Isso aumenta a confiança de médicos, hospitais e pacientes, e reduz a probabilidade de bloqueios de uso por motivos de segurança percebida.


A governança de dados também impacta a narrativa de marketing médico. O Guia de Boas Práticas para Estudos de Dados de Mundo Real já exige conformidade com LGPD, anonimização de dados e metodologias de curadoria robustas. Isso significa que a empresa que consegue mostrar, de forma clara e transparente, como os dados foram coletados, tratados e analisados, gera maior credibilidade junto a médicos, comitês de farmácia e gestores de saúde. Narrativas de valor baseadas em dados mal curados ou com baixa governança tendem a ser contestadas por avaliadores críticos.


A fragmentação do sistema de saúde brasileiro é um desafio, mas também uma oportunidade de storytelling estratégico. A combinação de dados de hospitais universitários, redes privadas de saúde, planos de saúde e sistemas públicos permite criar histórias de impacto em diferentes contextos. Um estudo de mundo real que mostre melhora de desfechos em hospitais públicos, redução de custos em hospitais privados e melhor adesão em centros de referência pode ser usado para customizar o discurso de marketing médico conforme o perfil do interlocutor.


A análise de custo‑benefício também se beneficia de dados de mundo real. Em vez de depender apenas de modelos econômicos hipotéticos, a empresa pode usar dados de reembolso, hospitalizações e uso de recursos para mostrar, de forma concreta, como o medicamento impacta o orçamento de hospitais e planos de saúde. Um relatório de RWE que mostre redução de internações, menor tempo de permanência hospitalar e maior adesão ao tratamento pode ser usado para argumentar em favor de contratos de desempenho, práticas de stewardship e priorização do produto em protocolos de acesso.


A gestão de portfólio também precisa incorporar a lógica de RWE desde o início do desenvolvimento de produtos. Em vez de focar apenas em ativos com forte pipeline de ensaios clínicos, será estratégico priorizar medicamentos que possam gerar evidência de mundo real de alto valor, especialmente em áreas de alta complexidade como oncologia, doenças raras e terapias de alto custo. Um portfólio que combine produtos com forte evidência clínica e um plano estruturado de geração de RWE terá mais peso em negociações com Anvisa, ANS, conselhos de saúde e até tribunais de justiça, onde valor real é cada vez mais exigido.


Ainda existem desafios metodológicos e culturais. Muitas empresas ainda veem RWE como um custo adicional, não como um investimento em inteligência regulatória, médica e de mercado. Superar essa visão curto‑prazo é essencial para quem quer aproveitar a janela de oportunidade que a Anvisa está abrindo com o uso estruturado de evidência de mundo real em marketing médico.


Por fim, a mensagem para quem atua em marketing médico no Brasil é clara: tratar a área apenas como canal promocional é ignorar um dos principais ativos de valor da empresa. A Anvisa já está pronta para avaliar dados de mundo real com rigor, e empresas que conseguirem transformar esses dados em narrativas de valor para médicos, hospitais e gestores de saúde terão mais chances de construir posicionamento de longo prazo, apoiar protocolos de uso e influenciar decisões de acesso e de priorização de medicamentos em cenários de alta complexidade.


Logo abaixo estão reunidos TODOS os artigos referentes aos respectivos anos:




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1º Semestre de 2026 | Ranking Global de Receita das Grandes Farmacêuticas

1º Semestre de 2026 | Ranking Global de Receita das Grandes Farmacêuticas
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DOE UM CAFÉ


O mercado farmacêutico global não está crescendo de forma uniforme. Está se tornando mais concentrado.


Analisei o desempenho da receita no primeiro semestre de 2026 das 20 maiores empresas farmacêuticas e um número se destacou imediatamente:


US$ 458,3 bilhões em receita total no primeiro semestre.


Mas a questão mais importante é a concentração.


As 5 maiores empresas sozinhas geraram 34,7% da receita total das 20 maiores.


1º Semestre de 2026 | Ranking Global de Receita das Grandes Farmacêuticas


E o crescimento está se tornando cada vez mais polarizado:


Eli Lilly: +28,4%

Roche: +10,7%

AstraZeneca: +11,6%

AbbVie: +8,5%


Enquanto algumas empresas estão claramente sob pressão:


Bayer: -3,1%

Gilead: -1,3%


O panorama por área terapêutica conta outra história importante:


Doenças Raras: +13,2%

Oncologia: +12,4%

Imunologia: +10,3%


Enquanto isso, a área Cardiovascular apresentou queda de 6,8%.


Qual a principal conclusão estratégica?


A próxima fase de crescimento das grandes farmacêuticas pode não se concentrar apenas na expansão do volume, mas sim na concentração de inovação, produtos especializados e terapias de alto valor.


Para os líderes do setor farmacêutico, isso levanta uma questão crucial:


Estamos acompanhando a receita ou estamos acompanhando a direção do mercado?


Criei este painel para ir além do ranking e conectar o desempenho financeiro, o ritmo de crescimento, as áreas terapêuticas e a contribuição geográfica em uma visão estratégica.


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TOP 6 Estratégias de Pós-venda para Aumentar a Fidelização na Indústria Farmacêutica

TOP 6 Estratégias de Pós-venda para Aumentar a Fidelização na Indústria Farmacêutica
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Você já parou para pensar que o momento mais importante de um relacionamento comercial não é o fechamento do contrato, mas sim o que acontece logo depois? Na indústria farmacêutica, onde a confiança e os resultados são tudo, a jornada do cliente apenas começa quando a venda é concretizada. Como então transformar um cliente em um verdadeiro parceiro leal?

Em um setor tão guiado por valor e outcomes, a pós-venda deixa de ser um departamento de suporte e se torna o coração estratégico da fidelização. Não basta apenas fornecer um produto excelente; é preciso garantir que ele seja utilizado da melhor forma possível, não concorda? Richard Saynor, CEO da Sandoz, destacou perfeitamente essa mentalidade: "Nossa meta não é ser o maior fornecedor de genéricos e biossimilares, mas o mais confiável. A confiança é construída no dia seguinte à venda, com suporte consistente e valor contínuo." (Fonte: Entrevista ao Financial Times, maio de 2023).

Imagine um cliente hospitalar que recebe um novo medicamento biológico. A entrega foi perfeita, mas e agora? Um programa de pós-venda robusto entra em cena com treinamentos especializados para a equipe de enfermagem, assegurando a administração correta e manuseio seguro. Um Diretor de Enfermagem de um grande hospital universitário nos EUA relatou que a iniciativa de treinamento pós-venda de uma farmacêutica de genéricos complexos reduziu erros de medicação em sua unidade em 15%, criando um laço de confiança inabalável com a marca.

E que tal ir além do produto físico? O verdadeiro pós-venda na farmacêutica moderno é sobre oferecer serviços embrulhados em valor. Um Gerente de Contas Estratégicas na Roche implementou um programa de acompanhamento de resultados com relatórios personalizados para seus clientes hospitalares, mostrando dados agregados de eficácia que ajudavam os médicos em suas pesquisas clínicas. Isso não é suporte; é uma parceria científica.

A comunicação proativa é a chama que mantém o relacionamento aquecido. Em vez de esperar um chamado de ajuda, que tal ser você a ligar para checar se está tudo bem? Um simples gesto de "estamos aqui" pode ser o diferencial que impede que um cliente frustrado com um pequeno entrave migre para um concorrente. Essa abordagem humaniza a marca e mostra um genuíno interesse no sucesso do cliente.

A criação de comunidades de prática é uma estratégia magistral. Já pensou em conectar seus clientes entre si? Um Head de Marketing de uma empresa europeia de medicamentos orphan drugs criou um fórum online exclusivo para gestores de saúde discutirem melhores práticas no tratamento de doenças raras usando seu produto. Essa plataforma, facilitada pela farmacêutica, mas liderada pelos clientes, gerou insights valiosos e fortaleceu tremendamente a lealdade à marca.

O feedback não é uma crítica; é um presente gratuito de R&D. Implementar ciclos estruturados para coletar e, o mais importante, agir com base no feedback dos clientes é crucial. Mostrar que você ouviu e implementou uma sugestão é o maior gesto de respeito. Um Diretor de Unidade de Negócios na Pfizer compartilhou que uma mudança na embalagem de um medicamento injetável, sugerida por um farmacêutico hospitalar, levou a uma redução de 30% no desperdício e solidificou a parceria por anos.

A pós-venda também é sobre antecipar necessidades. Com a análise de dados de uso, você pode prever quando um hospital precisará de um novo lote ou quando um paciente pode estar perto de precisar de uma nova dosagem. Essa antecipação não só simplifica a vida do cliente como demonstra um nível de cuidado que é impossível de ignorar. Emma Walmsley, CEO da GSK, enfatizou a importância dessa visão: "A digitalização permite-nos passar de um modelo transacional para um relacional, antecipando necessidades e oferecendo suporte hiperpersonalizado ao longo de toda a jornada terapêutica." (Fonte: Discurso na Web Summit, novembro de 2023).

Programas de fidelidade e reconhecimento para profissionais de saúde também funcionam, mas será que estamos pensando da forma certa? Em vez de brindes, que tal oferecer acesso a cursos de educação médica continuada de alto nível, assinaturas de journals científicos ou oportunidades para participar de advisory boards? Um Diretor de Vendas de uma empresa de dispositivos médicos na Johnson & Johnson estruturou um programa que concedia créditos para educação continuada baseado no volume de compras, que foi recebido com enorme entusiasmo pela comunidade médica.

A agilidade na resolução de problemas é onde a teoria encontra a prática. Quando algo dá errado – e algo sempre pode dar errado – a velocidade e a eficácia com que sua equipe resolve o problema definirá a percepção da sua marca para sempre. Ter um canal direto e dedicado para clientes estratégicos não é um custo; é um investimento direto em retenção.

Nunca subestime o poder do check-in pessoal. Em um mundo digital, uma visita presencial de um representante ou um telefonema de um gestor sênior apenas para saber "como as coisas estão" possui um impacto emocional profundo. Revive a conexão humana e lembra ao cliente que ele é mais do que um número em uma planilha.

A customização do suporte é essencial. Um pequeno laboratório não tem as mesmas necessidades que um grande hospital universitário. Segmentar suas estratégias de pós-venda e oferecer planos sob medida mostra que você entende as particularidades de cada negócio. Um Gerente de Relacionamento com o Cliente na AstraZeneca desenvolveu três tiers diferentes de programas de suporte pós-venda, cada um com seu próprio conjunto de benefícios e nível de acesso a especialistas, aumentando drasticamente a satisfação em todos os segmentos.

E a sustentabilidade? Essa é uma preocupação crescente. Um programa de logística reversa para embalagens ou descarte consciente de medicamentos, oferecido como parte do pacote pós-venda, alinha sua marca aos valores de ESG dos seus clientes, aprofundando a relação em uma nova dimensão.

A inovação contínua no suporte é o que mantém a parceria fresca. O que você ofereceu de valor no pós-venda no ano passado pode ser commodity hoje. Estar sempre um passo à frente, criando novos serviços e formas de engagement, é fundamental. David Ricks, CEO da Eli Lilly, comentou sobre essa evolução: "O ciclo de vida de um produto não termina no lançamento. Nossa capacidade de inovar nos serviços de suporte ao paciente e ao médico é tão importante quanto inovar em P&D." (Fonte: Relatório Anual de Inovação da Eli Lilly, 2022).

No final, a fidelização na indústria farmacêutica é construída com tijolos de valor contínuo, assentados com a argamassa da confiança. Cada interação pós-venda é uma oportunidade de reforçar por que você foi escolhido e por que deve continuar sendo a escolha no futuro. Não se pergunta mais "o que estamos vendendo?", mas sim "que problema estamos ajudando a resolver hoje?".


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