Propósito

✔ Brazil SFE® Pharma Produtivity, Effectiveness, CRM, BI, SFE, ♕Data Science Enthusiast, ✰BI, Big Data & Analytics, ✰Market Intelligence, ♕Sales Force Effectiveness, Vendas, Consultores, Comportamento, etc... Este é um lugar onde executivos e profissionais da Indústria Farmacêutica atualizam-se, compartilham experiências, aplicabilidades e contribuem com artigos e perspectivas, ideias e tendências. Todos os artigos e séries são desenvolvidos por profissionais da indústria. Este Blog faz parte integrante do grupo AL Bernardes®.

Meni

.: Vitrine

Carregando artigos...

Views

Mostrando postagens com marcador Mercado Farmacêutico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mercado Farmacêutico. Mostrar todas as postagens

IQVIA PMB® | As 25 Perguntas Que Todo Profissional da Indústria Farmacêutica Precisa Dominar Para Crescer no Mercado Brasileiro

IQVIA PMB® | As 25 Perguntas Que Todo Profissional da Indústria Farmacêutica Precisa Dominar Para Crescer no Mercado Brasileiro
#BrazilSFE #IndústriaFarmacêutica #IndústriaDeMedicamentos #IQVIA #PMB #mercadofarmacêutico #marketshare #sellin #sellout #farmácias #auditoria #distribuição #varejo



DOE UM CAFÉ


Em um mercado farmacêutico que movimentou aproximadamente R$ 160,7 bilhões em 2024 e comercializou mais de 6 bilhões de embalagens de medicamentos no Brasil, a capacidade de interpretar dados deixou de ser uma vantagem competitiva para se tornar uma exigência estratégica. Empresas que dominam inteligência de mercado conseguem identificar oportunidades antes dos concorrentes, otimizar investimentos promocionais e ampliar participação em categorias altamente disputadas.

Entre todas as ferramentas utilizadas pela Indústria Farmacêutica, poucas possuem tanta influência nas decisões comerciais, de marketing, acesso ao mercado, planejamento de demanda e definição de metas quanto o IQVIA PMB®. Seus indicadores orientam laboratórios nacionais e multinacionais, distribuidores, redes de farmácias, consultorias estratégicas e investidores que acompanham o desempenho do setor.

Compreender o funcionamento do IQVIA PMB® permite interpretar corretamente market share, evolução de vendas, desempenho competitivo, potencial de lançamentos e tendências terapêuticas. A seguir estão reunidas as 25 dúvidas mais frequentes sobre essa importante auditoria do mercado farmacêutico brasileiro, complementadas com informações práticas que ajudam a transformar dados em vantagem competitiva.

Quais são as 25 perguntas mais comuns sobre o IQVIA PMB® e suas respectivas respostas?

O que é o IQVIA PMB®? O que significa PMB?

PMB significa Pharmaceutical Market Brazil, ou Mercado Farmacêutico Brasileiro.

Trata-se da principal auditoria comercial utilizada pela Indústria Farmacêutica para monitorar o desempenho do mercado de medicamentos no país.

O que é exatamente essa ferramenta?

É um estudo contínuo e uma pesquisa de mercado que fornece um perfil comercial estatístico completo do setor farmacêutico.

Por meio dessa auditoria, empresas conseguem acompanhar movimentações de mercado, participação competitiva, tendências de crescimento e evolução de categorias terapêuticas.

Quem desenvolveu o PMB?

O PMB foi desenvolvido pela IMS Health®, empresa que posteriormente se fundiu e passou a operar globalmente sob a marca IQVIA®.

Atualmente, a IQVIA é reconhecida mundialmente como uma das principais referências em dados, tecnologia, pesquisa clínica e inteligência comercial para o setor de saúde.

O que o IQVIA PMB® mede?

IQVIA PMB® mede o volume e o valor financeiro das vendas de produtos farmacêuticos.

Essas informações permitem acompanhar crescimento, retração, ganho de participação e movimentações competitivas dentro de diferentes segmentos do mercado.

Qual é o foco principal do IQVIA PMB®?

O foco principal é o mercado de varejo farmacêutico, abrangendo farmácias e drogarias em todo o território nacional.

Esse segmento representa a maior parte da distribuição de medicamentos no Brasil e continua registrando crescimento consistente ano após ano.

Como os dados são coletados? De onde vêm os dados brutos?

Os dados são extraídos por meio da microfilmagem ou leitura eletrônica de notas fiscais emitidas dentro da cadeia farmacêutica.

O avanço da digitalização ampliou significativamente a qualidade e a velocidade da captura dessas informações.

Como funcionam as compras diretas?

IQVIA PMB® capta as notas fiscais provenientes das negociações realizadas diretamente entre o laboratório fabricante e a farmácia.

Esse modelo é bastante utilizado por grandes redes e contribui para análises detalhadas sobre estratégias comerciais da indústria.

Como funcionam as compras indiretas?

O sistema também capta notas fiscais referentes às vendas realizadas por distribuidores e atacadistas para drogarias e farmácias.

Esse fluxo é fundamental para compreender o abastecimento do varejo farmacêutico brasileiro.

Todos os produtos são rastreados?

IQVIA PMB® audita o mercado comercial de varejo ético e de genéricos, incluindo medicamentos e diversos produtos de saúde comercializados em farmácias.

A abrangência da auditoria permite análises bastante consistentes sobre comportamento de mercado.

A cobertura é nacional?

Sim.

Os dados coletados nos pontos de venda são projetados estatisticamente para representar todo o território nacional.

Essa característica torna o IQVIA PMB® uma das principais referências para planejamento estratégico e tomada de decisão.


Com qual frequência o IQVIA PMB® é publicado?

Os relatórios são disponibilizados mensalmente.

Essa periodicidade permite acompanhamento contínuo da evolução do mercado.

Quando os dados ficam disponíveis?

Normalmente os dados são publicados aproximadamente 35 dias após o encerramento do mês analisado.

Esse intervalo permite consolidação, validação e projeção estatística das informações.

Quais recortes de tempo são apresentados?

O relatório apresenta:

Dados isolados do mês.

Dados acumulados do ano.

Dados consolidados dos últimos 12 meses móveis.

Esses diferentes recortes ajudam a identificar tendências de curto, médio e longo prazo.

Como a informação é apresentada?

As informações geralmente são disponibilizadas em vendas projetadas, tanto em valor monetário quanto em unidades ou caixas comercializadas.

Esse formato facilita análises comerciais e comparações entre empresas, marcas e categorias.

Posso visualizar o mercado de diferentes formas?

Sim.

Os relatórios oferecem múltiplas segmentações, incluindo região geográfica, classe terapêutica, princípio ativo, fabricante, canal de distribuição e diversas outras perspectivas analíticas.

Aplicações práticas e terminologias

Para que serve o IQVIA PMB® na Indústria Farmacêutica?

IQVIA PMB® é a principal ferramenta para medir market share, analisar concorrência e definir estratégias de vendas.

Além disso, auxilia no planejamento de força de vendas, definição de territórios, análise de potencial, gestão de demanda, previsão de produção e avaliação de investimentos promocionais.

IQVIA PMB® substitui os dados de auditoria hospitalar?

Não.

IQVIA PMB® é focado no varejo farmacêutico.

Para vendas institucionais e hospitalares, a IQVIA® disponibiliza auditorias específicas, como a IQVIA DDH®, voltada para Dados de Demanda Hospitalar.

O que é PMS?

PMS significa Pharmaceutical Market Sales.

São as métricas de vendas utilizadas dentro do ecossistema analítico relacionado ao IQVIA PMB®.

Esses indicadores ajudam a acompanhar desempenho comercial em diferentes níveis de análise.

O que significa Sell-In no contexto do IQVIA PMB®?

Sell-In representa o volume de produtos vendidos pela indústria para distribuidores ou diretamente para o varejo.

Esse indicador é amplamente utilizado para planejamento de produção, logística e abastecimento.

O que significa Sell-Out no contexto do IQVIA PMB®?

Sell-Out representa o volume efetivamente vendido pelo varejo ao consumidor final.

Embora o IQVIA PMB® trabalhe principalmente com projeções derivadas das compras das farmácias, suas análises ajudam a estimar o comportamento real de consumo.

A diferença entre Sell-In e Sell-Out é uma das métricas mais observadas pelos gestores comerciais porque ajuda a identificar possíveis excessos ou faltas de estoque.

O que é PPP no contexto do IQVIA PMB®?

PPP significa Pharmacy Purchase Price, ou Preço de Compra da Farmácia.

Esse indicador representa o valor pago pela farmácia ao distribuidor ou laboratório.

O PPP é amplamente utilizado para análises de descontos, rentabilidade e competitividade comercial.

O varejo farmacêutico brasileiro movimentou aproximadamente R$ 158,4 bilhões em 2024 considerando esse critério de precificação.

O que é Preço PMC no contexto do IQVIA PMB®?

PMC significa Preço Máximo ao Consumidor.

Esse valor é regulamentado pela CMED, Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos.

O PMC funciona como referência para comercialização e para diversos cálculos financeiros utilizados pela Indústria Farmacêutica.

Qual é a importância da auditoria IQVIA PMB® para o Marketing?

A auditoria permite avaliar o sucesso de lançamentos, mensurar resultados de campanhas promocionais, analisar market share, acompanhar desempenho competitivo e estimar o tamanho total do mercado.

Com a crescente utilização de estratégias omnichannel e marketing baseado em dados, o IQVIA PMB® tornou-se ainda mais relevante para as equipes de marketing farmacêutico.

Os dados do IQVIA PMB® revelam a receita exata de um laboratório?

Não.

IQVIA PMB® fornece estimativas projetadas de alta confiabilidade amplamente aceitas pelo mercado.

Entretanto, a receita oficial e auditada de empresas de capital aberto deve ser consultada em demonstrações financeiras, relatórios anuais e documentos regulatórios divulgados aos investidores.

O que é o NCT no contexto do IQVIA PMB®?

NCT significa National Class Trade.

Trata-se de uma das metodologias utilizadas para classificação das classes terapêuticas dentro dos estudos e análises conduzidos pela IQVIA.

Essa classificação facilita comparações padronizadas entre diferentes segmentos terapêuticos e apoia análises estratégicas de mercado.

À medida que o mercado farmacêutico brasileiro continua crescendo em faturamento, volume e complexidade competitiva, a importância de plataformas de inteligência comercial também aumenta. O setor registrou crescimento superior a dois dígitos nos últimos anos, impulsionado por genéricos, biológicos, expansão das redes de farmácia, programas públicos de acesso a medicamentos e maior digitalização da jornada do paciente.

Nesse cenário, o IQVIA PMB® permanece como uma das principais fontes de informação para laboratórios farmacêuticos, distribuidores, gestores comerciais, profissionais de marketing, especialistas de acesso ao mercado e executivos que precisam transformar dados em decisões estratégicas de alta performance.



🔴 Acesse Todos os +3.000 Artigos Publicados! 👆🏾


👉 Siga André Bernardes no Linkedin. Clique aqui e contate-me via What's App.

Comente e compartilhe este artigo!

brazilsalesforceeffectiveness@gmail.com

Então: Você Deseja Ser um Representante da Indústria Farmacêutica? (Indústria Farmacêutica | Orientações para Consultores, Propagandistas e Representantes)

 🎯 MÉTODO QA® · Artigo 10 | O Diagnóstico Inicial: Aplicando o Método QA® na sua Operação

😡Indústria Farmacêutica Brasileira: Entre o Protagonismo Real e a Dependência que Ninguém Quer Admitir

Indústria Farmacêutica Brasileira: Entre o Protagonismo Real e a Dependência que Ninguém Quer Admitir
#BrazilSFE #IndústriaFarmacêutica #Top50 #Pharma #PharmaCompanies #MercadoFarmacêutico #FarmáciaBrasileira #Biossimilares #GLP1 #Inovação #PesquisaDesenvolvimento #SoberaniaSanitária #ANVISA #FarmaBrasil #Genéricos #SaúdePública #BNDES #DeficitComercial #Regulação #Farmácia #Saúde #CiênciaETecnologia #ComplexoIndustrialDaSaúde


Série: Consultores, Propagandistas e Representantes


Existe uma narrativa sedutora sobre a Indústria Farmacêutica brasileira. Ela cresce. Ela inova. Ela domina prateleiras. Ela financia centros de pesquisa com recursos bilionários e lança, com pompa, os primeiros medicamentos GLP-1 de fabricação 100% nacional. É uma narrativa verdadeira — em parte. O problema é que a outra parte, aquela que não aparece nos press releases, é igualmente verdadeira e bem menos confortável.



O mercado farmacêutico brasileiro encerrou 2024 com faturamento de R$ 160,7 bilhões, crescimento de 12,8% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico da ANVISA. Foram comercializadas mais de 6 bilhões de embalagens de medicamentos — números que colocam o Brasil entre os dez maiores mercados farmacêuticos do planeta. No primeiro semestre de 2025, o setor acelerou ainda mais, atingindo R$ 138,3 bilhões em faturamento, crescimento de 11,5% frente ao mesmo período de 2024.


Esses números são reais, expressivos e merecem reconhecimento. Mas precisam ser lidos com lupa — e sem o viés dos comunicados institucionais que chegam acompanhados de muito gráfico verde e pouca contextualização crítica.


O crescimento em volume também impressiona: 5,7 bilhões de embalagens comercializadas no primeiro semestre de 2025, avanço de 5% sobre 2024. Em 25 anos, desde a implementação da política de medicamentos genéricos no Brasil, o setor cresceu 180% em volume. A população, no mesmo período, cresceu cerca de 29%. Isso significa que o acesso a medicamentos se expandiu de forma estrutural — uma conquista social que seria desonesto negar.


Oito em cada dez medicamentos vendidos nas farmácias brasileiras já são produzidos por laboratórios nacionais. A projeção da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (ALANAC) é ainda mais ambiciosa: até 2030, essa proporção deve chegar a nove em cada dez. O vencimento de aproximadamente 1.500 patentes nos próximos anos vai abrir espaço para novos genéricos e similares, ampliando a participação nacional de forma estrutural.


Os laboratórios de capital nacional respondem hoje por 77,9% do volume total comercializado — 4,4 bilhões das 5,7 bilhões de embalagens vendidas no primeiro semestre de 2025. Em valores, faturaram R$ 80,2 bilhões, o equivalente a 57,9% do mercado total. Genéricos nacionais cresceram 10,3%; similares, 14,2%; e medicamentos de referência de fabricação nacional, 7,3%.


Parece perfeito. E não é.


Enquanto os laboratórios nacionais celebram sua fatia de mercado interno, a balança comercial do setor farmacêutico registrou um déficit de aproximadamente US$ 11 bilhões em 2024 — e entre 2024 e 2025, esse número escalou para US$ 13 bilhões. Para 2025 como um todo, estimativas do Grupo FarmaBrasil apontam déficit estrutural próximo a US$ 15 bilhões. Isso coloca o setor farmacêutico como detentor do segundo maior déficit comercial do Brasil, perdendo apenas para petróleo.


O motivo central desse rombo tem nome e endereço: mais de 90% dos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) utilizados no Brasil são importados. A desestruturação da indústria de química fina ao longo dos anos 1990, processo acelerado pela abertura comercial sem política industrial de contrapartida, deixou uma herança estrutural que até hoje consome divisas e compromete a soberania sanitária do país.


China e Índia respondem pelo fornecimento da grande maioria desses insumos. O Brasil produz o medicamento — embala, distribui, vende — mas não produz o que há de mais estratégico dentro dele: a molécula ativa. É como montar um avião importando todos os motores e chamar isso de indústria aeronáutica nacional.


Esse paradoxo ficou exposto de forma brutal durante a pandemia de covid-19, quando o país descobriu que não tinha IFAs para as vacinas que tanto celebrou. A Fiocruz produziu a AstraZeneca — com insumo vindo do exterior. O Butantan produziu a Coronavac — com insumo vindo da China. A narrativa de soberania vacinal foi real, mas a soberania de insumos, não.



172 Artigos sobre Propagandistas



A dependência se concentra ainda mais quando se observa medicamentos de alto valor agregado. O mercado brasileiro importou volumes crescentes de análogos de GLP-1 — semaglutida, liraglutida — que explodiram em demanda a partir de 2023, impulsionando o déficit comercial do setor para patamares históricos. Só entre setembro de 2023 e setembro de 2024, o mercado de GLP-1 movimentou mais de R$ 3 bilhões no Brasil.


A resposta da indústria nacional a esse problema foi real — e merece crédito. A EMS inaugurou em 2024 a primeira fábrica de peptídeos do Brasil, com capacidade de produzir análogos de GLP-1 tanto para o mercado interno quanto para exportação. Em agosto de 2025, lançou o Olire e o Lirux — tornando-se a primeira farmacêutica 100% brasileira a comercializar GLP-1 no país, competindo diretamente com gigantes internacionais.


A mesma empresa recebeu aprovação do BNDES para financiamento de R$ 107,6 milhões voltado à expansão do seu Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Hortolândia, com previsão de ampliar em 70% a área total do centro e duplicar a capacidade de desenvolvimento de novos projetos. Anunciou ainda um ciclo de investimentos de R$ 1 bilhão para os próximos dois anos, com abertura de novas fábricas e ampliação da unidade de Manaus em 30%.


Em agosto de 2024, o BNDES foi além: aprovou R$ 1,39 bilhão em três operações simultâneas para EMS, Aché e Eurofarma, no âmbito do programa BNDES Mais Inovação. A Eurofarma, por sua vez, planeja desenvolver cerca de duzentos projetos focados em inovação radical e incremental, incluindo novos genéricos e biossimilares. Detentora do maior centro de pesquisa instalado na América Latina, opera com mais de 750 pesquisadores e presença comercial em mais de 22 países.


Esses movimentos são concretos e estratégicos. Mas seria ingenuidade tratá-los como solução — eles são, no melhor cenário, o início de uma resposta de longo prazo para um problema estrutural de décadas.


A inovação incremental — melhorias em formulações já existentes — ainda domina o portfólio de P&D da indústria nacional. A inovação radical, aquela que gera novas moléculas, novos mecanismos de ação e propriedade intelectual de origem brasileira, ainda é minoritária. Entre 2019 e 2024, o número de produtos novos e inovadores lançados no mercado permaneceu praticamente estagnado, enquanto o faturamento cresceu 87%, segundo levantamento do Instituto Medicamenta com base nos dados da ANVISA.


Crescer em faturamento sem crescer em inovação radical é uma estratégia que funciona até o ponto em que o mercado exige mais. O Brasil cresce em volume e em capacidade produtiva — mas ainda depende da pesquisa básica desenvolvida fora de suas fronteiras para ter acesso às moléculas que define como prioritárias.

O ambiente regulatório da ANVISA, frequentemente citado como um diferencial competitivo nacional, enfrenta um gargalo que ameaça esse diferencial: a escassez de recursos humanos. O déficit de servidores qualificados compromete a capacidade de análise e registro de produtos novos e inovadores, criando filas que atrasam a chegada de terapias ao mercado e prejudicam a competitividade sistêmica do setor. Superou-se a marca de 17 mil registros de medicamentos ativos na ANVISA em 2025 — um indicador de maturidade regulatória — mas o aparato público que sustenta esse sistema não acompanhou o crescimento em proporção equivalente.


O complexo econômico-industrial da saúde representa aproximadamente 9,7% do PIB brasileiro — número que deveria transformar o setor em prioridade permanente de política pública, e não apenas em pauta de eventos e anúncios com presença ministerial. O programa Nova Indústria Brasil reconhece essa centralidade, mas políticas industriais bem-intencionadas sem continuidade de médio e longo prazo têm histórico pífio no país.


A Lei Complementar 214/2025 trouxe um alento tributário relevante: redução de 60% nas alíquotas de IBS e CBS para medicamentos registrados na ANVISA, com alíquota zero para oncologia, diabetes, doenças raras, HIV/AIDS e doenças cardiovasculares. A Farmácia Popular também foi contemplada. A simplificação tributária reduz custos de conformidade e potencialmente amplia o acesso — desde que a cadeia de preços repasse o benefício ao consumidor final.


No mercado de biossimilares, a indústria nacional avança, mas de forma seletiva. Laboratórios como Libbs, Bionovis e Blau investem em medicamentos de alta complexidade, que representam a fronteira tecnológica mais exigente da indústria. O vencimento de patentes de biológicos de alto valor — anticorpos monoclonais, fatores de crescimento, proteínas recombinantes — abre uma janela estratégica que o setor precisa aproveitar com urgência e competência regulatória à altura.


A transferência de tecnologia firmada entre a EMS e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para medicamentos de diabetes e obesidade representa um modelo promissor de integração entre indústria privada e estrutura pública de pesquisa. A Fiocruz, uma das maiores instituições de pesquisa em saúde do hemisfério sul, tem capacidade científica que raramente é aproveitada em sua plenitude por parcerias industriais. Essa aproximação precisa ser replicada, sistematizada e financiada de forma consistente — não tratada como evento isolado de relações públicas.


O mercado internacional começa a aparecer no radar das maiores farmacêuticas brasileiras com mais consistência. A EMS opera em 56 países. A Eurofarma mantém operação própria em mais de 22 países da América Latina. Mas as exportações farmacêuticas brasileiras ainda somaram apenas US$ 1,21 bilhão em 2024 — número que contrasta de forma gritante com os US$ 12,35 bilhões importados no mesmo período. A internacionalização é real, mas ainda insuficiente para reequilibrar a equação comercial.


O plano estratégico Brasil Pharma 2035, defendido pelo Grupo FarmaBrasil, propõe investimentos superiores a R$ 30 bilhões na próxima década para transformar o parque industrial brasileiro em polo de inovação. As metas incluem 50 produtos de inovação incremental, 10 inovações radicais, dobrar os postos de trabalho qualificados e expandir plantas industriais e centros de pesquisa. São metas ambiciosas — e necessárias. A questão é se haverá continuidade política, financeira e regulatória para sustentá-las.


O emprego formal no setor farmacêutico registrou aproximadamente 206 mil postos em 2025, crescimento de cerca de 5% frente ao ano anterior. A taxa de formalização próxima de 93% e a remuneração média superior à da indústria de transformação geral revelam um setor que, quando contrata, contrata bem. Mas a demanda por perfis técnicos — especialistas em assuntos regulatórios, farmacovigilância, supply chain estratégico, inteligência de mercado, biotecnologia e pesquisa clínica — cresce em ritmo que a formação universitária e técnica do país ainda não acompanha de forma satisfatória.


A concentração de mercado também merece atenção. EMS, Hypera, Eurofarma, Aché e Libbs respondem juntas por cerca de 80% das vendas em farmácias. A proposta de fusão entre EMS e Hypera — que envolveu uma oferta de R$ 3,8 bilhões com prêmio de 40% sobre as ações, rejeitada em 2024 — sinaliza que o movimento de consolidação está em curso. A venda da Medley pela Sanofi, com propostas entre US$ 420 e US$ 450 milhões por parte de múltiplos interessantes nacionais, reforça essa tendência. Mercados mais concentrados podem ser mais eficientes — mas também menos competitivos e mais vulneráveis a práticas anticoncorrenciais.


O ambiente internacional adiciona variáveis que o mercado farmacêutico brasileiro não pode ignorar. A política tarifária dos Estados Unidos, com seus acordos de preços firmados com grandes laboratórios globais, pressiona multinacionais a concentrar investimentos em manufatura americana — com reflexos potenciais nas operações e na estratégia de licenciamento global. O Brasil, que depende de transferências tecnológicas internacionais para boa parte de sua inovação incremental, está diretamente exposto a essas dinâmicas geopolíticas.


A biodiversidade brasileira — frequentemente citada como fonte estratégica de novas moléculas — permanece subaproveitada como ativo farmacêutico. A Amazônia concentra reservas genéticas e bioativos com potencial terapêutico reconhecido pela comunidade científica, mas a distância entre o laboratório de pesquisa básica e a bancada regulatória ainda é longa demais. Iniciativas como os Diálogos Amazônicos promovidos pela CIEAM sinalizam consciência sobre esse potencial — mas consciência não é produto registrado.


A capacidade instalada da indústria química, que abastece a farmacêutica com insumos intermediários, operou em média 62% no primeiro trimestre de 2025 — o menor nível desde 1990. O nível de ociosidade de 38% é, ao mesmo tempo, uma ineficiência econômica e um indicativo de que a demanda interna não está sendo suficientemente direcionada para a produção nacional de componentes químicos. A desarticulação entre as cadeias química e farmacêutica é um problema que políticas de compras governamentais poderiam endereçar com mais vigor.


O SUS, maior comprador de medicamentos do país, tem poder de mercado suficiente para induzir a produção nacional de insumos estratégicos. A incorporação pelo Conitec, o debate sobre inclusão de produtos como o Wegovy no sistema público e as decisões de compras centralizadas são instrumentos de política industrial tanto quanto de política de saúde. Quando o Estado compra bem e compra estrategicamente, induz inovação. Quando compra mal, financia dependência.


A reforma tributária, com suas promessas de simplificação e redução de carga para medicamentos essenciais, é bem-vinda — mas tributação é apenas uma das alavancas do setor. As outras — financiamento de P&D, proteção da propriedade intelectual, qualificação de mão de obra, infraestrutura de pesquisa clínica, regularidade regulatória — exigem esforço mais sistêmico e menos sazonal do que o Brasil historicamente tem demonstrado.


Indústria Farmacêutica brasileira não é mais "a dos Propagandistas" nem "a dos genéricos simples". Ela é, ao mesmo tempo, mais sofisticada do que foi e mais dependente do que admite. Ela cresce em faturamento, avança em inovação incremental, ocupa posições internacionais relevantes — e importa mais de 90% dos seus insumos ativos, registra déficits comerciais bilionários e ainda não produziu uma única nova entidade molecular de relevância global.


Essa contradição não é motivo de vergonha — é motivo de trabalho. O setor farmacêutico brasileiro tem estrutura, escala, regulação e mercado consumidor suficientes para dar o próximo salto. O que falta não é tamanho. É continuidade de visão estratégica, investimento em ciência básica e honestidade sobre onde ainda se está — e não apenas sobre onde se quer chegar.


O mercado não está em compasso de espera. Mas tampouco está onde os discursos de lançamento gostariam que estivesse. E reconhecer essa distância é, paradoxalmente, o primeiro passo para encurtá-la.


Logo abaixo estão reunidos TODOS os artigos referentes aos respectivos anos:




Série: Consultores, Propagandistas e Representantes




🔴 Acesse Todos os +3.000 Artigos Publicados! 👆🏾

👉 Siga André Bernardes no Linkedin. Clique aqui e contate-me via What's App.

Comente e compartilhe este artigo!

brazilsalesforceeffectiveness@gmail.com


  
 Comunicação Efetiva: Habilidades de Comunicação Não Verbal: Capítulo 2: Preparação Estratégica Pré-Visita Comunicação Efetiva: Habilidades de Comunicação Não Verbal: Capítulo 3: Estratégias de Abertura Impactantes

Comunicação Efetiva: Habilidades de Comunicação Não Verbal: Capítulo 4: Construção da Conexão Emocional Comunicação Efetiva: Habilidades de Comunicação Não Verbal: Capítulo 1: Introdução à Arte da Visita Médica Produtiva Comunicação Efetiva: Habilidades de Comunicação Não Verbal: Capítulo 5: Comunicação Não Verbal e Linguagem Corporal


Então: Você Deseja Ser um Representante da Indústria Farmacêutica? (Indústria Farmacêutica | Orientações para Consultores, Propagandistas e Representantes)