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O Peru Produz 55% da Quinoa do Mundo — e a Ciência Farmacêutica Está de Olho Nessa Semente | Top 50 Países Maiores Produtores

O Peru Produz 55% da Quinoa do Mundo — e a Ciência Farmacêutica Está de Olho Nessa Semente | Top 50 Países Maiores Produtores
#BrazilSFE #Peru #Quinoa #Saponinas #Ecdisteroides #Farmaceutica #Nutraceutica #ProteínaVegetal #Bioativos #Excipientes #SupplyChain



Série: Consultores, Propagandistas e Representantes


O grão que cresceu nas encostas dos Andes peruanos por milênios, cultivado por civilizações que o chamavam de chisiya mama, a mãe de todos os grãos, chegou ao século vinte e um carregando consigo um perfil nutricional e bioquímico que continua surpreendendo a ciência. O Peru, segundo a lista TOP 50 Maiores Países Produtores Mundiais, produz 55% de toda a quinoa colhida no mundo, totalizando 130 mil toneladas anuais, e essa liderança não é apenas agrícola. É estratégica, porque a quinoa peruana está se tornando, à medida que a pesquisa avança, uma fonte de compostos bioativos com aplicações farmacêuticas e nutracêuticas que vão muito além do grão como alimento funcional que os mercados ocidentais adotaram com entusiasmo na última década.


Peru — com uma presença no ranking:


  • Quinoa (#30 — 130 kt — 55% mundial — reservas: anual/renovável)


Nenhum outro pseudocereal combina, da forma como a quinoa combina, um perfil proteico completo com todos os aminoácidos essenciais, uma composição de ácidos graxos favorável com predominância de ácido linoleico e ácido alfa-linolênico, uma riqueza de minerais biodisponíveis incluindo ferro, zinco, magnésio e manganês, e uma família de compostos fitoquímicos, as saponinas e os ecdisteroides, com atividade biológica documentada de interesse crescente para a pesquisa farmacológica. O Peru, como maior produtor mundial, é o detentor por excelência dessa matéria-prima singular que a Indústria Farmacêutica ainda está aprendendo a usar com a profundidade que merece.


Top 50 Países Maiores Produtores

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Desafiar a percepção que limita a quinoa ao papel de superalimento de nicho para consumidores de alimentação saudável é o ponto de partida necessário para compreender sua relevância estratégica para a Indústria Farmacêutica e nutracêutica. As saponinas da quinoa, os ecdisteroides e as proteínas de alta qualidade biológica têm aplicações que vão de adjuvantes vacinais a sistemas de nutrição clínica enteral, passando por emulsificantes naturais para formulações farmacêuticas e por compostos com potencial atividade anabólica e imunomoduladora que a pesquisa científica está investigando com crescente rigor metodológico.


A produção peruana de quinoa está concentrada principalmente nas regiões de Puno, no altiplano andino próximo ao Lago Titicaca, e em regiões costeiras que adotaram o cultivo a partir da expansão da demanda global nas últimas décadas. As variedades andinas tradicionais, cultivadas em altitudes entre 3.000 e 4.000 metros acima do nível do mar, produzem grãos com perfis bioquímicos distintos das variedades de cultivo costeiro, com maior concentração de compostos fitoquímicos e colorações que vão do branco ao vermelho e ao preto, cada uma com características nutricionais e bioativas específicas de interesse para formuladores industriais. 

Fonte: https://www.fao.org/statistics/highlights-archive/highlights-detail/agricultural-production-statistics-2010-2024/en


Nesse contexto, as saponinas da quinoa merecem atenção especial e detalhada. Esses glicosídeos triterpênicos, presentes na casca externa do grão e responsáveis pelo sabor amargo da quinoa não lavada, têm propriedades tensoativas que os tornam agentes emulsificantes naturais de interesse para formulações farmacêuticas e cosméticas. Mas a aplicação mais estratégica das saponinas da quinoa é como adjuvante vacinal. Saponinas de plantas da família Quillaja, estruturalmente relacionadas às da quinoa, são componentes de adjuvantes vacinais comerciais aprovados para uso humano, incluindo o sistema AS01 utilizado na vacina contra malária e na vacina contra herpes zoster. A pesquisa sobre saponinas de quinoa como adjuvantes vacinais alternativos está em estágio inicial mas promissor, com potencial de criar uma demanda industrial específica por extratos de quinoa peruana de alta pureza.


Dados científicos publicados em periódicos especializados documentam a atividade biológica dos ecdisteroides presentes na quinoa, especialmente a 20-hidroxiecdisona, composto que tem sido investigado por suas propriedades anabólicas em tecido muscular, por seu potencial de melhora da sensibilidade à insulina e por efeitos adaptogênicos que incluem aumento da resistência ao estresse oxidativo. Esses estudos posicionam os ecdisteroides da quinoa como ingredientes de interesse para formulações nutracêuticas voltadas para saúde metabólica, para performance física em populações atletas e para prevenção de sarcopenia em idosos, três mercados em crescimento acelerado que a indústria de suplementos alimentares está explorando ativamente. 

Fonte: https://www.voronoiapp.com/food-beverage/Global-Coffee-Production-in-2024-by-Country-4084


Reposicionando a análise para a nutrição clínica, a proteína de quinoa ocupa um lugar de interesse crescente em formulações enterais e parenterais para pacientes com necessidades nutricionais especiais. Sua composição de aminoácidos completa, com escore de aminoácidos corrigido pela digestibilidade proteica equivalente ao da proteína do ovo e superior ao da maioria das proteínas vegetais convencionais, a torna uma alternativa tecnicamente competitiva para pacientes com alergias à proteína do leite, intolerância à lactose ou restrições religiosas e culturais ao consumo de proteínas de origem animal. O desenvolvimento de isolados proteicos de quinoa com especificação para uso em nutrição clínica é uma oportunidade de inovação que algumas empresas pioneiras já estão explorando, com o Peru como principal fornecedor da matéria-prima primária.


Uma dimensão adicional que conecta a quinoa peruana à farmacêutica é o mercado de amido de quinoa como excipiente potencial. Com propriedades de gelatinização distintas dos amidos convencionais de milho, trigo e mandioca, o amido de quinoa tem sido investigado como excipiente em formulações de liberação modificada e como agente encapsulante em sistemas de microencapsulamento de princípios ativos sensíveis. Estudos publicados em periódicos de tecnologia farmacêutica documentam suas propriedades de formação de gel, sua compatibilidade com diferentes princípios ativos e seu potencial de biodegradabilidade em sistemas de liberação colônica, abrindo perspectivas de aplicação em formulações para doenças inflamatórias intestinais.


Incluindo a perspectiva de sustentabilidade, a quinoa peruana enfrenta um paradoxo que tem implicações diretas para a estabilidade do seu fornecimento industrial. O boom de demanda global que ocorreu entre 2013 e 2016 elevou os preços do grão a níveis que tornaram o cultivo extremamente lucrativo para pequenos produtores andinos, mas também gerou pressões sobre a terra agrícola, conflitos de uso do solo e, em alguns casos, abandono de práticas tradicionais de cultivo rotativo que mantinham a fertilidade do solo. A subsequente queda de preços, decorrente da expansão do cultivo para outras regiões do mundo, incluindo Europa e América do Norte, reduziu a rentabilidade dos produtores peruanos e criou incerteza sobre a continuidade dos investimentos na cadeia produtiva.


Zelar pela estabilidade do fornecimento de quinoa peruana para uso industrial exige, da parte dos compradores farmacêuticos e nutracêuticos, um engajamento que vai além da simples negociação de preço com intermediários. Contratos de longo prazo que garantam preço mínimo ao produtor, investimentos em programas de certificação orgânica e de rastreabilidade, e parcerias com organizações de comércio justo que trabalham diretamente com comunidades produtoras andinas são estratégias que combinam gestão de risco de abastecimento com responsabilidade social verificável, um binômio de crescente importância para empresas do setor de saúde que operam sob escrutínio ESG crescente.


Ao especificar proteína de quinoa para uma nova linha de suplementos para nutrição clínica em pacientes oncológicos, enfrenta um conjunto específico de desafios técnicos e regulatórios. A padronização do teor de proteína, a remoção eficiente das saponinas que podem causar irritação gastrointestinal em concentrações elevadas, a garantia de ausência de contaminantes como metais pesados que se acumulam em solos de altitude e a conformidade com os limites de agrotóxicos estabelecidos pela Anvisa são requisitos que precisam ser verificados lote a lote e que demandam um relacionamento próximo com processadores peruanos que tenham investido em certificações GMP e em capacidade analítica adequada.


A cadeia de processamento da quinoa para uso industrial ainda está em estágio de amadurecimento no Peru. Embora existam plantas de beneficiamento, de lavagem e de secagem com capacidade industrial relevante, a produção de isolados proteicos, de extratos de saponinas padronizados e de frações de ecdisteroides de alta pureza ainda é dominada por processadores europeus e norte-americanos que importam o grão bruto ou a farinha e realizam o processamento de maior valor agregado em seus próprios territórios. Essa lacuna na cadeia de valor peruana representa tanto uma vulnerabilidade logística e de custo para compradores industriais quanto uma oportunidade de desenvolvimento industrial para o Peru que o governo e o setor privado do país estão progressivamente reconhecendo e buscando aproveitar.


Uma análise de tendências de mercado para a quinoa peruana aponta para um cenário de demanda crescente sustentada nos próximos anos, impulsionada pela expansão do mercado de proteínas vegetais de alta qualidade, pelo crescimento do segmento de nutrição clínica baseada em plantas e pelo avanço da pesquisa sobre saponinas como adjuvantes vacinais. Esse crescimento de demanda, combinado com a posição dominante do Peru como produtor, cria condições favoráveis para investimentos na cadeia de processamento local que poderiam transformar o país de exportador de commodity bruta em fornecedor de ingredientes funcionais certificados para o mercado global de saúde.


Estratégias de acesso a ingredientes derivados de quinoa para laboratórios farmacêuticos e nutracêuticos brasileiros deveriam explorar a proximidade geográfica e os acordos comerciais vigentes no âmbito da Comunidade Andina e do Mercosul como facilitadores logísticos e tarifários. O Brasil importa quinoa em volumes crescentes para o mercado alimentar, mas ainda não desenvolveu uma cadeia estruturada de importação de ingredientes processados de quinoa para uso farmacêutico e nutracêutico. Essa lacuna é uma oportunidade para empresas pioneiras que queiram construir posição de mercado em ingredientes de origem andina antes que a demanda torne essa iniciativa óbvia e competitiva demais para gerar diferenciação.


O grão sagrado dos Andes que o Peru cultiva em 55% do volume mundial tem, nas suas saponinas, nos seus ecdisteroides, nas suas proteínas completas e no seu amido diferenciado, um conjunto de ingredientes que a ciência farmacológica e nutracêutica está apenas começando a explorar com a profundidade que merecem. O Peru que planta quinoa nas altitudes do altiplano andino está, sem que seus pequenos produtores necessariamente saibam, cultivando matérias-primas com potencial de chegarem a formulações farmacêuticas inovadoras, a vacinas de nova geração e a sistemas de nutrição clínica que vão alimentar pacientes em hospitais de todos os continentes. Reconhecer esse potencial, investir na cadeia de processamento que o transforma em ingrediente certificado e construir pontes entre o campo andino e o laboratório farmacêutico global é o desafio e a oportunidade que a quinoa peruana coloca diante de toda a Indústria Farmacêutica.

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A China Produz 18% do Trigo do Mundo — e o Amido Desse Grão Está em Milhões de Comprimidos | Top 50 Países Maiores Produtores

A China Produz 18% do Trigo do Mundo — e o Amido Desse Grão Está em Milhões de Comprimidos | Top 50 Países Maiores Produtores
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Série: Consultores, Propagandistas e Representantes


O trigo é o cereal mais cultivado em área plantada no mundo e o segundo em volume de produção, alimentando civilizações há mais de dez mil anos e sustentando as dietas de populações em todos os continentes por meio de pães, massas, biscoitos e uma infinidade de produtos derivados que a indústria alimentar transforma com crescente sofisticação tecnológica. A China produz 140 milhões de toneladas anuais, e segundo a lista TOP 50 Maiores Países Produtores Mundiais, representa 18% do total mundial, e é simultaneamente o maior produtor e o maior consumidor de trigo do planeta, importando volumes expressivos para complementar sua demanda doméstica apesar de sua escala produtiva extraordinária. Para a Indústria Farmacêutica, o trigo chinês e seus derivados têm relevância que vai muito além da nutrição: o amido de trigo é um excipiente farmacêutico clássico presente em farmacopeias há séculos, o glúten é investigado como sistema de encapsulamento de fármacos e as ciclodextrinas, moléculas derivadas da degradação enzimática do amido de trigo, são excipientes de uso crescente em formulações farmacêuticas de alta tecnologia que melhoram a solubilidade e a biodisponibilidade de princípios ativos desafiadores.


Top 50 Países Maiores Produtores

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Nenhum outro cereal tem uma história de uso farmacêutico tão longa e tão diversificada quanto o trigo. O amido de trigo foi um dos primeiros excipientes registrados nas farmacopeias europeias do século XVIII, utilizado como diluente e como agente de compressão em comprimidos antes mesmo que a tecnologia de fabricação de comprimidos se desenvolvesse na sua forma moderna. Essa história secular de uso aprovado pelas principais agências regulatórias do mundo confere ao amido de trigo um status de excipiente estabelecido com documentação de segurança que poucos outros ingredientes conseguem replicar. A China, como maior produtora mundial, está na origem primária dessa cadeia que alimenta tanto os moinhos de farinha que produzem o pão quanto as plantas de processamento de amido que fornecem excipientes para laboratórios farmacêuticos em todo o mundo.


Desafiar qualquer formulador farmacêutico a identificar uma alternativa ao amido de trigo que combine custo competitivo, disponibilidade global consistente, documentação regulatória sólida e propriedades funcionais equivalentes em comprimidos convencionais é um exercício que raramente produz uma resposta satisfatória. O amido de trigo, com sua combinação específica de amilose e amilopectina que confere propriedades de desintegração e de compressão bem caracterizadas, continua sendo um dos excipientes mais utilizados na fabricação de comprimidos em todo o mundo, e sua disponibilidade depende, em proporção significativa, da produção chinesa que abastece os processadores de amido que fornecem ao mercado farmacêutico global.


A produção chinesa de trigo atingiu 140 milhões de toneladas em 2024, com aumento de 3,5 milhões de toneladas em relação ao ano anterior impulsionado por condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras de Henan, Shandong, Hebei e Jiangsu. O trigo chinês é predominantemente de grão mole e de grão médio, com teor de proteína entre 10% e 13% e teor de amido entre 65% e 70% em base seca, perfil que o torna adequado tanto para processamento alimentar quanto para extração de amido e de glúten em plantas de processamento industrial. A China não exporta volumes significativos de trigo, consumindo internamente praticamente toda a sua produção, mas é um participante relevante no mercado global de derivados processados de trigo, especialmente amido e glúten vital de trigo, que chegam a mercados industriais em todo o mundo.

Fonte: https://databoks.katadata.co.id/en/agroindustry/statistics/685b997421376/china-the-worlds-largest-wheat-producer-in-20242025


Nesse contexto produtivo, o amido de trigo merece análise técnica detalhada por sua posição de excipiente farmacêutico de uso amplamente estabelecido. Reconhecido pela USP, pela Farmacopeia Europeia e pela Farmacopeia Brasileira, o amido de trigo funciona como desintegrante, como diluente e como agente de deslizamento em comprimidos e em cápsulas. Sua principal característica diferenciadora em relação a outros amidos farmacêuticos é o seu comportamento de pasta quando aquecido em presença de água, formando géis com propriedades específicas de viscosidade e de adesividade que o tornam útil como ligante em formulações de granulação úmida. Essas propriedades, bem caracterizadas e documentadas em décadas de uso industrial, fazem do amido de trigo um excipiente de escolha em formulações que requerem granulação úmida com ligante aquoso de comportamento reológico previsível e consistente entre lotes.


Dados do mercado global de excipientes farmacêuticos confirmam que o amido de trigo mantém posição relevante em formulações de comprimidos convencionais, especialmente em mercados europeus e asiáticos onde a tradição de uso desse excipiente é mais antiga e onde os formuladores têm maior familiaridade técnica com suas propriedades específicas. A China, com sua escala de produção de trigo e com sua infraestrutura crescente de processamento de amidos, é um fornecedor de relevância crescente no mercado global de amido de trigo industrial, embora a certificação GMP de fornecedores chineses para o mercado farmacêutico regulado ainda seja um processo em desenvolvimento que limita o acesso de compradores ocidentais mais exigentes. 

Fonte: https://www.agbull.com/ag-production-eight-countries-hold-every-crown/


Reposicionando a análise para o glúten de trigo, proteína que permanece após a extração do amido no processo de processamento úmido do trigo, emerge uma dimensão de interesse farmacêutico crescente que vai além do papel culinário convencional dessa proteína. O glúten vital de trigo, com sua capacidade única de formar redes proteicas viscoelásticas quando hidratado, tem sido investigado como material de encapsulamento para princípios ativos farmacêuticos em sistemas de micropartículas e de nanopartículas que protegem moléculas sensíveis à degradação ácida gástrica e permitem a liberação controlada no intestino delgado. Pesquisas publicadas em periódicos de tecnologia farmacêutica documentam o desenvolvimento de micropartículas de glúten para encapsulamento de probióticos, de enzimas digestivas e de outros princípios ativos que se beneficiam de proteção contra o ambiente hostil do estômago antes de chegarem ao local de ação no trato gastrointestinal.


Uma dimensão que representa o avanço mais sofisticado na cadeia farmacêutica derivada do trigo é o mercado de ciclodextrinas. Essas moléculas oligossacarídicas, produzidas por degradação enzimática do amido de trigo por ciclodextrina glicosiltransferase, têm estrutura tridimensional em forma de cone truncado com interior hidrofóbico e exterior hidrofílico que permite a formação de complexos de inclusão com moléculas de fármacos pouco solúveis em água, aumentando dramaticamente sua solubilidade aparente e sua biodisponibilidade oral. As ciclodextrinas alfa, beta e gama, e suas variantes químicamente modificadas como a hidroxipropil-beta-ciclodextrina e a sulfobutiléter-beta-ciclodextrina, são excipientes reconhecidos pelas principais farmacopeias internacionais e utilizados em formulações comerciais de medicamentos que incluem antifúngicos, anti-inflamatórios, cardiovasculares e ansiolíticos que de outra forma teriam biodisponibilidade oral insatisfatória.


Incluindo a perspectiva do mercado de ciclodextrinas em mais detalhes, esse segmento representa um dos exemplos mais sofisticados de transformação de um excipiente agrícola básico em ingrediente de alta tecnologia farmacêutica. A China tornou-se um dos maiores produtores mundiais de ciclodextrinas, com plantas de produção por fermentação enzimática que utilizam amido de trigo como substrato e que produzem ciclodextrinas de grau farmacêutico com especificações compatíveis com as exigências das farmacopeias internacionais. Esse posicionamento chinês no mercado de ciclodextrinas farmacêuticas é um exemplo de agregação de valor que transforma a liderança produtiva em trigo em vantagem competitiva no segmento de excipientes de alta tecnologia para formulações farmacêuticas de alta performance.


Integrando a perspectiva de risco específica ao trigo chinês, a questão da contaminação por micotoxinas merece atenção prioritária dos gestores de supply chain farmacêutico que utilizam derivados de trigo de origem chinesa. O deoxinivalenol, também conhecido como vomitoxina, e a zearalenona são micotoxinas produzidas por fungos Fusarium que infestam lavouras de trigo em condições de alta umidade durante o período de floração e que podem contaminar tanto o grão quanto os derivados processados, incluindo o amido e o glúten de trigo. Os limites regulatórios para micotoxinas em excipientes farmacêuticos são mais restritivos do que os limites para alimentos, e a verificação analítica de cada lote de amido de trigo adquirido para uso farmacêutico é uma obrigação que não pode ser negligenciada independentemente da confiabilidade histórica do fornecedor.


Zelar pela conformidade do amido de trigo de uso farmacêutico com as exigências das farmacopeias internacionais exige um programa de qualificação de fornecedores que inclua auditoria das plantas de processamento, verificação da capacidade analítica do fornecedor para os parâmetros críticos de qualidade, análise independente de amostras de cada lote por laboratório terceirizado qualificado e revisão periódica dos laudos de estabilidade que documentam a manutenção das especificações ao longo do período de armazenamento declarado. Esse processo é mais complexo para fornecedores chineses do que para fornecedores europeus estabelecidos, mas é absolutamente necessário e economicamente justificável pelo diferencial de custo que o amido chinês pode oferecer quando adequadamente qualificado.


Bernardo, revisando os custos de excipientes de uma linha de comprimidos convencionais de alta rotatividade, identifica que o amido de trigo representa uma das maiores oportunidades de redução de custo por substituição de fornecedor europeu por fornecedor chinês qualificado, com potencial de economia de 25% a 40% no custo unitário do excipiente. O processo de qualificação do fornecedor chinês requer investimento inicial de tempo e de recursos em auditorias e em análises de validação, mas o retorno econômico no volume de uma linha de produção de alto volume justifica amplamente esse investimento quando os dados analíticos confirmam a equivalência de qualidade entre o produto chinês e o europeu que está sendo substituído.


Uma análise de tendências de longo prazo para o trigo chinês e seus derivados farmacêuticos precisa considerar o impacto das mudanças climáticas sobre a produtividade das lavouras nas principais regiões produtoras. Modelos climáticos projetam aumento de temperatura e alteração de padrões de precipitação nas planícies do norte da China que poderiam reduzir a produtividade do trigo em 15% a 25% até 2050 sem adaptações varietais e de manejo significativas. Esse risco de longo prazo de redução de oferta, combinado com a demanda doméstica chinesa crescente por alimentos processados à base de trigo, cria perspectivas de redução da disponibilidade de excedentes de amido e de glúten para exportação que compradores farmacêuticos de médio e longo prazo precisam incorporar em suas análises de risco de cadeia de abastecimento.


Estratégias de diversificação de sourcing de amido de trigo para laboratórios farmacêuticos que utilizam esse excipiente em grandes volumes deveriam incluir a qualificação de fornecedores em pelo menos três países distintos, incluindo a China como opção de menor custo, a Europa Ocidental como opção de maior conformidade regulatória estabelecida e a Austrália ou o Canadá como alternativas de mercados produtores com menor risco de interrupção geopolítica. Essa diversificação geográfica de fornecedores, combinada com estoques de segurança dimensionados para cobrir dois a três meses de consumo normal, oferece proteção adequada contra os diferentes tipos de risco que afetam cada origem sem impor custo excessivo de capital de giro para a empresa que a implementa.


O trigo que a China cultiva em suas planícies temperadas com uma tradição agrícola de milênios está produzindo, além do alimento que sustenta sua população de 1,4 bilhão de pessoas, uma cadeia de derivados que chegam à farmácia por rotas que vão do amido que desintegra o comprimido às ciclodextrinas que solubilizam o princípio ativo desafiador. Essa conexão entre o campo chinês e a tecnologia farmacêutica de ponta é um exemplo perfeito do que esta série de artigos tem buscado demonstrar: que as maiores produções agrícolas e minerais do mundo têm implicações para a saúde humana que vão muito além do alimento direto, e que compreender essas conexões é uma competência estratégica indispensável para qualquer profissional que queira operar com inteligência e com resiliência no complexo ecossistema da Indústria Farmacêutica global.

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