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O Brasil Que Alimenta o Planeta | Top 50 Países Maiores Produtores

O Brasil Que Alimenta o Planeta | Top 50 Países Maiores Produtores
#BrazilSFE #Farmácia #Soja #Café #CanaDeAçúcar #Brasil #Agronegócio #Fitofármacos #Biofármacos #Excipientes #IndústriaFarmacêutica #Bioeconomia


Série: Consultores, Propagandistas e Representantes


A maior potência agrícola do planeta não é a que possui mais tecnologia nem a que investe mais em pesquisa segundo a lista TOP 50 dos maiores produtores mundiais. É o país que reúne solo fértil, clima generoso, escala continental e, cada vez mais, inteligência aplicada ao campo. O Brasil ocupa essa posição com uma consistência que poucos ousam contestar, e os números que sustentam essa afirmação são tão expressivos que chegam a parecer ficção para quem não acompanha o setor de perto.


Top 50 Países Maiores Produtores

Nenhum outro país no mundo coloca sobre a mesa uma combinação como essa: 40% da soja global, 38% do café mundial e 37% de toda a cana-de-açúcar processada no planeta. São três lideranças absolutas em commodities que movem cadeias produtivas inteiras, inclusive aquelas que a maioria das pessoas jamais associaria ao campo. A indústria farmacêutica é uma delas, e a conexão é muito mais profunda do que parece à primeira vista.


Duvidar do impacto que a produção agrícola brasileira exerce sobre laboratórios, formulações e medicamentos é um erro que profissionais da saúde e da indústria não podem mais se dar ao luxo de cometer. A lecitina de soja está em cápsulas, emulsões e sistemas de liberação controlada. Os derivados da cana alimentam fermentações industriais que resultam em antibióticos, vitaminas e excipientes. O café, além de mover bilhões no varejo, gera compostos bioativos que a ciência farmacêutica estuda com crescente interesse.



Brasil — produtos a cobrir:

  • Soja (#1 do ranking)
  • Café (#6)
  • Açúcar/cana (#43)


Ricos em proteínas e lipídios funcionais, os grãos de soja brasileiros chegam a laboratórios farmacêuticos em todo o mundo sob a forma de fosfolipídios purificados, lecitina grau farmacêutico e óleo refinado utilizado como veículo em formulações injetáveis. A safra 2024/25 atingiu 169 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como o maior exportador mundial da oleaginosa com folga considerável sobre os Estados Unidos, que produziram 119 milhões de toneladas no mesmo período. 

Fonte: https://soygrowers.com/news-releases/how-does-u-s-soybean-production-compare-to-brazil/


Dezenas de farmácias de manipulação e indústrias de suplementos no Brasil e no exterior utilizam derivados da soja nacional como matéria-prima primária. A cadeia começa no Cerrado e termina em prateleiras de drogarias na Europa, no Japão e nos Estados Unidos. Poucos gestores de compras farmacêuticas sabem, ao assinar um pedido de lecitina, que estão comprando, em essência, uma fração do campo brasileiro.


Rastrear essa origem é mais do que um exercício de curiosidade intelectual. É uma questão de segurança de cadeia de abastecimento, de compliance regulatório e de estratégia competitiva. Empresas que conhecem a fundo a origem das suas matérias-primas constroem relações mais sólidas com fornecedores, antecipam riscos de escassez e negociam com mais poder. O Brasil, nesse contexto, não é apenas um fornecedor. É uma alavanca.


É impossível falar de produção brasileira sem mencionar o café. Com 3,8 milhões de toneladas produzidas anualmente e participação de 38% no mercado global, o Brasil é o maior produtor e o maior exportador de café do mundo há mais de 150 anos consecutivos. A safra 2024/25 foi estimada em 69,9 milhões de sacas de 60 kg, divididas entre arábica e conilon. 

Fonte: https://www.fas.usda.gov/data/brazil-coffee-annual-9


Zingiberáceas, polifenóis, ácido clorogênico e cafeína. Esses compostos extraídos do café têm percorrido um caminho crescente dentro de laboratórios farmacêuticos e de nutracêuticos. O ácido clorogênico, em especial, tem sido estudado por seus efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e moduladores da glicemia, abrindo espaço para formulações funcionais com apelo clínico relevante.


Bernardo, um pesquisador de uma universidade paulista, não é personagem real aqui, mas sua história se repete em dezenas de grupos de pesquisa: a extração de compostos bioativos do café brasileiro para desenvolvimento de nutracêuticos e fármacos funcionais já é realidade em bancadas espalhadas pelo país. O que falta, muitas vezes, não é a ciência. É a ponte entre o laboratório e a indústria, entre a descoberta e a prateleira.


Em termos práticos, a produção cafeeira brasileira representa uma oportunidade inexplorada para a indústria farmacêutica nacional. Enquanto a Europa importa extratos padronizados de café para uso em cosméticos e suplementos, o Brasil exporta o grão bruto e importa o derivado processado. Esse paradoxo diz muito sobre o estágio de maturidade da cadeia de valor agregado no país.


Robusto na produção, o setor sucroenergético brasileiro carrega consigo uma segunda vida que poucos enxergam. Os 635 milhões de toneladas de cana-de-açúcar processadas anualmente no Brasil, correspondendo a 37% da produção mundial, geram muito mais do que açúcar e etanol. Geram sorbitol, manitol, dextrana, e outras moléculas que aparecem diretamente em formulações farmacêuticas como excipientes, adoçantes técnicos e estabilizantes. 

Fonte: https://www.fao.org/statistics/highlights-archive/highlights-detail/agricultural-production-statistics-2010-2024/en


Nenhum laboratório farmacêutico de médio ou grande porte opera sem excipientes derivados da cana ou da soja. Isso não é especulação. É uma realidade técnica registrada nas farmacopeias internacionais. O sorbitol aparece na USP, na EP e na farmacopeia brasileira como excipiente de uso aprovado em formulações orais, parenterais e tópicas. Grande parte do sorbitol que circula no mercado global tem origem em cadeias produtivas conectadas ao Brasil.


A Arábia Saudita não produz soja. A Alemanha não produz café. A China não domina a cana tropical. O Brasil produz os três, em escala, com consistência e com potencial de crescimento ainda não totalmente explorado. Para a indústria farmacêutica global, isso representa um ponto focal de abastecimento estratégico que merece atenção muito além do que recebe hoje nos fóruns regulatórios e nas mesas de planejamento de supply chain.


Reposicionar o Brasil como fornecedor estratégico de matérias-primas para a indústria farmacêutica exige uma mudança de narrativa que começa dentro das próprias empresas do setor. Não basta reconhecer o potencial. É preciso mapear as cadeias, qualificar os fornecedores rurais segundo padrões GMP, criar contratos de fornecimento de longo prazo e investir em certificações que transformem commodity em insumo farmacêutico ativo.


Dados do relatório agrícola da FAO confirmam que a produção de oleaginosas cresceu 50% entre 2010 e 2024, com a soja respondendo pela maior parte desse crescimento. O Brasil foi o principal motor dessa expansão, impulsionado pela abertura de novas áreas no Cerrado e pela adoção de variedades de alta produtividade desenvolvidas pela Embrapa. Esse crescimento não foi acidental. Foi planejado, financiado e executado com rigor técnico que merece reconhecimento. 

Fonte: https://www.fao.org/statistics/highlights-archive/highlights-detail/agricultural-production-statistics-2010-2024/en


Estratégias de market access para laboratórios farmacêuticos que atuam no Brasil deveriam incluir, em suas análises de risco e oportunidade, o mapeamento da produção agrícola nacional como variável de custo e disponibilidade. Flutuações na safra de soja impactam o preço da lecitina. Geadas no Sul afetam o café e, por consequência, os extratos que chegam às formulações. Estiagens prolongadas pressionam o etanol e, com ele, a cadeia de fermentação industrial.


Semelhante ao que ocorre com países que dominam minerais críticos para a eletrônica, o Brasil detém posição análoga no universo das matérias-primas agrobiotecnológicas. Lítio para baterias. Soja para formulações. Café para compostos bioativos. Cana para excipientes. A lógica é a mesma, e a disputa por acesso a essas cadeias vai se intensificar à medida que a biofarmacêutica avança sobre territórios antes exclusivos da síntese química.


O profissional farmacêutico, o gestor de supply chain, o diretor de P&D e o representante comercial que hoje percorrem o mercado brasileiro com foco exclusivo na demanda dos prescritores têm diante de si uma camada adicional de complexidade, e de oportunidade, que passa pela compreensão da cadeia produtiva que começa no campo. Ignorar essa camada é operar com uma visão parcial de um mercado que é, por natureza, sistêmico.


Que o Brasil seja o maior produtor de soja, café e cana do mundo já não surpreende quem acompanha o agronegócio. O que ainda surpreende é que tão poucos profissionais da indústria farmacêutica enxerguem nessa liderança uma vantagem competitiva concreta, mensurável e acionável. A pergunta que fica não é se essa conexão existe. É por que ainda demoramos tanto para usá-la.

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