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A Arábia Saudita Detém 17% do Petróleo do Mundo — e Isso Define o Custo de Cada Medicamento | Top 50 Países Maiores Produtores

A Arábia Saudita Detém 17% do Petróleo do Mundo — e Isso Define o Custo de Cada Medicamento | Top 50 Países Maiores Produtores
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Série: Consultores, Propagandistas e Representantes


O preço do medicamento que um paciente compra na farmácia na segunda-feira de manhã foi parcialmente definido em uma reunião da OPEP realizada semanas antes em Viena ou em Riad. Essa afirmação pode parecer exagerada para quem não conhece a cadeia de causalidade que conecta as decisões de produção de petróleo da Arábia Saudita ao custo final dos medicamentos nos mercados globais. Mas é tecnicamente precisa e economicamente verificável. A Arábia Saudita, com 10,9 milhões de barris produzidos por dia, 10,5% do total mundial e 17% de todas as reservas provadas de petróleo do planeta, segundo a lista TOP 50 Maiores Países Produtores Mundiais, é o ator individual com maior capacidade de influenciar o preço global do petróleo, e o petróleo é a matéria-prima primária de uma cadeia petroquímica que alimenta a produção de embalagens, solventes, excipientes e equipamentos farmacêuticos em todo o mundo.


Arábia Saudita — produto:


  • Petróleo (#7 — 10,9 M bpd — 10,5% mundial — reservas: 17%)


Nenhuma outra nação combina, da forma como a Arábia Saudita combina, o maior volume de reservas provadas de petróleo convencional de baixo custo de extração do mundo com a posição de líder de fato da OPEP e com a capacidade de ajustar a produção com velocidade suficiente para mover os mercados globais em questão de semanas. Essa combinação de recursos geológicos, de poder institucional dentro da OPEP e de capacidade operacional flexível é o que coloca a Arábia Saudita em uma posição de influência sobre o preço do petróleo que nenhum outro país, nem mesmo os Estados Unidos com sua produção maior em volume, consegue exercer com a mesma precisão e a mesma velocidade de transmissão ao mercado.


Top 50 Países Maiores Produtores

Desafiar os profissionais da Indústria Farmacêutica a quantificar com precisão o percentual do custo de produção dos seus medicamentos que é determinado, direta ou indiretamente, pelo preço do petróleo saudita é um exercício que raramente é realizado mas que produziria resultados surpreendentes para a maioria das organizações. Embalagens plásticas primárias e secundárias, solventes de síntese e de extração, lubrificantes de maquinário, bases para pomadas e cremes, plastificantes de filmes de revestimento, resinas para cápsulas de gelatina dura, combustível para transporte e para aquecimento de plantas industriais. A lista de insumos com origem direta ou indireta no petróleo saudita é mais longa do que qualquer gestor financeiro de laboratório farmacêutico costuma reconhecer nos seus modelos de custo.


A produção saudita de petróleo atingiu 10,9 milhões de barris por dia em 2024, mantendo o país na segunda posição global atrás dos Estados Unidos, que produzem cerca de 20 milhões de barris diários incluindo líquidos de gás natural. Mas a comparação em volume de produção subestima o poder saudita, porque os campos petrolíferos do país, especialmente o gigantesco campo de Ghawar, o maior do mundo em produção acumulada, têm custos de extração entre 2 e 4 dólares por barril, enquanto o petróleo de xisto americano custa entre 40 e 60 dólares por barril para ser extraído. Essa diferença de custo de produção é o que garante à Arábia Saudita e à Saudi Aramco, sua empresa estatal, margens operacionais que nenhum outro produtor consegue replicar e que conferem ao país uma flexibilidade estratégica única para aumentar ou reduzir a produção sem comprometer sua viabilidade financeira. 

Fonte: https://investingnews.com/daily/resource-investing/energy-investing/oil-and-gas-investing/top-oil-producing-countries/


Nesse contexto de poder estrutural sobre o mercado de petróleo, a cadeia petroquímica farmacêutica merece análise específica. O petróleo bruto saudita é refinado em nafta petroquímica, etileno, propileno e butadieno, moléculas básicas que alimentam a produção de polietileno, polipropileno, PVC, poliestireno e outros polímeros que chegam às embalagens farmacêuticas em todo o mundo. O polietileno de alta densidade usado em frascos de comprimidos, o polipropileno usado em seringas descartáveis, o PVC usado em bolsas de solução intravenosa e o poliestireno usado em bandejas de embalagem secundária têm todos, em proporções variáveis, uma conexão com a cadeia petroquímica que começa no petróleo do Golfo Pérsico.


Dados do mercado global de embalagens farmacêuticas confirmam que os polímeros plásticos representam entre 60% e 70% de todos os materiais de embalagem primária e secundária utilizados pela Indústria Farmacêutica mundial. Essa dependência estrutural de polímeros derivados de petróleo cria uma transmissão direta entre as variações do preço do petróleo bruto e o custo das embalagens farmacêuticas, com defasagem típica de três a seis meses entre a variação do preço do petróleo e seu reflexo nos contratos de fornecimento de embalagens. Uma decisão de corte de produção da OPEP liderada pela Arábia Saudita se traduz, com essa defasagem, em pressão de custo sobre o orçamento de embalagens de laboratórios farmacêuticos em todos os continentes. 

Fonte: https://www.visualcapitalist.com/the-worlds-mineral-production-by-country/


Reposicionando a análise para os solventes farmacêuticos, a conexão com o petróleo saudita é igualmente direta. O etanol industrial, o acetato de etila, o diclorometano, o hexano, o heptano e o isopropanol são solventes amplamente utilizados em síntese farmacêutica, em extração de princípios ativos de origem vegetal, em processos de recristalização e de purificação de APIs e em formulações farmacêuticas líquidas. A maioria desses solventes tem origem petroquímica e seus preços são influenciados pela cotação do petróleo bruto com mecanismos de transmissão bem documentados. A Arábia Saudita, como maior exportadora mundial de petróleo convencional e líder da OPEP, tem influência determinante sobre os preços de toda essa cadeia de solventes que chegam às plantas farmacêuticas globais.


Uma dimensão estratégica que vai além do custo imediato é o papel da Arábia Saudita no desenvolvimento de uma indústria petroquímica própria de maior valor agregado. A Saudi Aramco e a SABIC, sua subsidiária petroquímica, estão investindo bilhões de dólares em complexos industriais que integram a produção de petróleo bruto com o refino e o processamento petroquímico, produzindo não apenas combustíveis mas também polímeros, resinas e intermediários químicos que competem diretamente com fornecedores europeus e americanos nos mercados globais de matérias-primas para a Indústria Farmacêutica e de embalagens. Esse movimento de verticalização da cadeia petroquímica saudita vai progressivamente alterar o mapa de fornecedores de excipientes e de materiais de embalagem para laboratórios farmacêuticos em todo o mundo.


Integrando a perspectiva geopolítica, as decisões de produção da Arábia Saudita dentro da OPEP têm sido repetidamente utilizadas como instrumentos de política externa, criando episódios de volatilidade no preço do petróleo que tiveram impacto direto sobre os custos operacionais da Indústria Farmacêutica global. O embargo de 1973, a guerra de preços de 2014, os cortes coordenados durante a pandemia de COVID-19 em 2020 e as reduções de produção de 2022 e 2023 em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia são exemplos de decisões sauditas que se transmitiram, com velocidades e intensidades variáveis, ao custo de produção de medicamentos em países importadores de petróleo ao redor do mundo.


Zelar pela proteção do orçamento de produção farmacêutica contra a volatilidade do petróleo saudita exige ferramentas de gestão de risco que ainda são subutilizadas pela maioria das empresas do setor. Contratos de fornecimento de longo prazo com fornecedores de embalagens e de solventes que incluam cláusulas de indexação ao preço do petróleo, o uso de instrumentos financeiros de hedge sobre commodities energéticas, a avaliação de fornecedores alternativos de polímeros de origem biológica que reduzam a dependência do petróleo e o investimento em eficiência energética que reduza o consumo de combustíveis derivados de petróleo nas plantas industriais são estratégias que, combinadas, podem reduzir significativamente a exposição ao risco saudita sem eliminar completamente a dependência estrutural.


Preparando o orçamento anual de produção de uma Indústria Farmacêutica de médio porte e tentando projetar o custo de embalagens para os próximos doze meses, enfrenta uma incerteza fundamental que os modelos convencionais de orçamento raramente capturam adequadamente: qual será o preço do petróleo ao longo do período orçado, e como as decisões da Arábia Saudita dentro da OPEP vão influenciar essa variável? Incorporar cenários de preço de petróleo nos modelos de orçamento farmacêutico, com sensibilidades que mostrem o impacto de variações de 20%, de 30% e de 50% no preço do barril sobre o custo de embalagens e de solventes, é uma prática de gestão financeira que todo controller de Indústria Farmacêutica deveria adotar sistematicamente.


A Arábia Saudita está também em processo de transformação interna que tem implicações de longo prazo para o mercado de petróleo. O programa Vision 2030, iniciativa do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman para diversificar a economia saudita além do petróleo, inclui investimentos massivos em energia solar, em turismo, em entretenimento e em indústrias de alto valor agregado. Paradoxalmente, a diversificação econômica saudita não reduz necessariamente a produção de petróleo no curto prazo, porque o governo precisa de receitas petrolíferas para financiar a própria transformação econômica. Mas no longo prazo, à medida que a demanda global por petróleo se reduz com a transição energética, a Arábia Saudita pode ter incentivos crescentes para maximizar a extração enquanto o petróleo ainda tem valor de mercado expressivo, o que poderia manter ou aumentar a oferta e pressionar os preços para baixo em determinados cenários.


Numerosas iniciativas globais de descarbonização da Indústria Farmacêutica incluem metas de redução da dependência de insumos de origem fóssil em embalagens e em solventes. Polímeros bioplásticos derivados de cana-de-açúcar, amido e celulose estão ganhando participação crescente em embalagens farmacêuticas de menor criticidade técnica. Solventes de origem biológica como o bioetanol e o acetato de etila de origem vegetal estão sendo desenvolvidos e qualificados como alternativas a solventes petroquímicos em determinados processos de síntese e de extração. Essas iniciativas, embora ainda representem uma fração pequena do consumo total de insumos derivados de petróleo pela Indústria Farmacêutica, apontam para uma tendência de longo prazo de gradual redução da dependência em relação ao petróleo saudita que vai se intensificar à medida que as tecnologias de substituição amadurecem e os custos de produção de alternativas biológicas convergem para os de origem fóssil.


Estratégias de acesso a matérias-primas petroquímicas de qualidade farmacêutica para laboratórios que operam no Brasil precisam considerar que o país tem uma vantagem estrutural única nesse contexto de transição: a Petrobras e o complexo petroquímico brasileiro, especialmente a Braskem, oferecem alternativas domésticas para polietileno e polipropileno que reduzem a dependência de importação e a exposição ao preço do petróleo saudita para determinados insumos de embalagem. O polietileno verde da Braskem, produzido a partir do etanol de cana-de-açúcar, é um dos poucos polímeros de origem biológica disponíveis em escala industrial com propriedades equivalentes às do polietileno convencional e com certificação de origem renovável verificável, representando uma alternativa genuinamente interessante para laboratórios farmacêuticos brasileiros que buscam reduzir sua exposição ao risco petrolífero e comunicar credencialmente de sustentabilidade verificável para seus clientes e investidores.


O petróleo que a Arábia Saudita extrai dos campos do Golfo Pérsico e exporta para refinarias em todo o mundo chega, de formas que a maioria dos pacientes e de muitos profissionais de saúde nunca percebe, ao frasco plástico que contém os comprimidos, à seringa que administra o injetável, ao filme que embala o blíster e ao solvente que purificou o princípio ativo. Essa presença invisível do petróleo saudita na cadeia farmacêutica é uma das dependências estruturais mais profundas e mais subestimadas do setor. Torná-la visível, mensurável e gerenciável é o primeiro passo para construir uma Indústria Farmacêutica mais resiliente, mais sustentável e menos vulnerável às decisões que são tomadas em Riad e que chegam, com defasagem previsível mas com impacto real, aos orçamentos de produção de laboratórios em todos os continentes.

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