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As Filipinas Produzem 27% do Coco do Mundo — e a Farmácia Usa Essa Fruta de Formas que Você Não Imagina | Top 50 Países Maiores Produtores

As Filipinas Produzem 27% do Coco do Mundo — e a Farmácia Usa Essa Fruta de Formas que Você Não Imagina | Top 50 Países Maiores Produtores
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Série: Consultores, Propagandistas e Representantes


O arquipélago filipino, com suas mais de sete mil ilhas espalhadas pelo Pacífico Sul, segundo a lista TOP 50 Maiores Países Produtores Mundiais, produz 27% de todo o coco colhido no planeta. Quatorze milhões de toneladas anuais que saem de palmeiras cultivadas por pequenos agricultores em ilhas como Quezon, Davao, North Cotabato e Laguna, chegando a mercados industriais em todo o mundo na forma de óleo, de leite, de carvão ativado, de ácido láurico e de uma família de derivados que a Indústria Farmacêutica utiliza com frequência muito maior do que a maioria dos profissionais do setor percebe. As Filipinas não são apenas o maior produtor mundial de coco. São um fornecedor estratégico de insumos farmacêuticos que aparecem em excipientes, em sistemas de entrega de fármacos, em filtros de purificação e em ingredientes ativos de nutracêuticos que chegam diariamente a pacientes em todos os continentes.


Filipinas — com uma presença no ranking:


  • Coco (#47 — 14 M t — 27% mundial — reservas: anual/renovável)


Nenhum outro fruto tropical combina, da forma como o coco combina, uma versatilidade industrial tão extraordinária com uma escala de produção que garante disponibilidade global consistente de seus derivados. O óleo de coco, a água de coco, a fibra de coco, o carvão de casca de coco e a polpa de coco são cinco produtos industrialmente distintos, com cadeias de valor próprias e com aplicações que vão de combustíveis a cosméticos, de alimentos funcionais a filtros de purificação de água e de ar, de excipientes farmacêuticos a sistemas de liberação controlada de fármacos. As Filipinas, como maior produtora mundial, estão no centro de todas essas cadeias simultaneamente, com uma infraestrutura de processamento que, embora ainda fragmentada e com potencial de modernização significativo, é suficientemente desenvolvida para abastecer mercados industriais globais com regularidade.


Top 50 Países Maiores Produtores

Desafiar qualquer formulador farmacêutico a identificar quantos produtos da sua linha de fabricação contêm derivados de coco é um exercício que invariavelmente produz uma lista mais longa do que se espera. O lauril sulfato de sódio, o mais utilizado tensoativo em comprimidos e em géis farmacêuticos, é derivado do ácido láurico do coco. O polissorbato 80, emulsificante amplamente utilizado em formulações injetáveis, orais e tópicas, pode ter origem em ácidos graxos de coco. O triglicerídeo de cadeia média, excipiente de uso crescente em sistemas de liberação de fármacos lipossolúveis, é extraído do óleo de coco por fracionamento. E o carvão ativado de casca de coco é o adsorvente de referência em formulações orais para tratamento de intoxicações e em processos de purificação de APIs. A Filipinas está, por essas múltiplas rotas, dentro de uma proporção significativa dos medicamentos produzidos industrialmente no mundo.


A produção filipina de coco atingiu 14 milhões de toneladas em 2024, mantendo o país na liderança mundial que divide historicamente com a Indonésia, segundo maior produtor com aproximadamente 18 milhões de toneladas, e com a Índia, terceiro com cerca de 14 milhões de toneladas. A peculiaridade da posição filipina é que, apesar de não ser o maior produtor absoluto em algumas estatísticas que incluem produção integral versus copra processada, o país é o maior exportador mundial de óleo de coco e de seus derivados industriais, posição que reflete décadas de investimento em capacidade de processamento e em relacionamentos comerciais com compradores industriais em mercados regulados da Europa, dos Estados Unidos e do Japão. 

Fonte: https://www.fao.org/statistics/highlights-archive/highlights-detail/agricultural-production-statistics-2010-2024/en


Nesse contexto exportador, o ácido láurico merece atenção central e detalhada por sua importância farmacêutica que vai muito além do conhecimento convencional do setor. Presente em concentrações de 45% a 52% no óleo de coco, o ácido láurico é o ácido graxo de doze carbonos mais abundante na natureza e é o precursor industrial do lauril sulfato de sódio, o lauril sulfato de amônio e uma família de tensoativos derivados que aparecem em formulações farmacêuticas como agentes molhantes, solubilizantes, emulsificantes e desintegrantes. A Farmacopeia Americana, a Europeia e a Brasileira reconhecem o lauril sulfato de sódio como excipiente de uso farmacêutico aprovado em comprimidos, em géis, em loções e em soluções de limpeza de equipamentos médicos. As Filipinas, como maior exportadora mundial de óleo de coco do qual esse ácido é extraído, são consequentemente a origem primária de uma fração significativa do tensoativo farmacêutico que circula no mercado global.


Dados do mercado global de excipientes farmacêuticos confirmam que os tensoativos derivados de ácidos graxos de coco mantêm posição dominante em determinadas aplicações farmacêuticas precisamente pela combinação de custo competitivo, disponibilidade global consistente, perfil de segurança bem estabelecido e documentação regulatória sólida acumulada em décadas de uso aprovado pelas principais farmacopeias internacionais. Alternativas tensoativas de origem sintética ou de outras origens vegetais existem, mas raramente combinam todos esses atributos com a mesma eficiência que os derivados de coco filipino, mantendo a relevância estratégica desse fornecedor para a Indústria Farmacêutica global. 

Fonte: https://www.agbull.com/ag-production-eight-countries-hold-every-crown/


Reposicionando a análise para os triglicerídeos de cadeia média, conhecidos pela sigla TCM, emerge uma dimensão de interesse crescente para a farmácia moderna. O óleo de coco é a fonte natural mais rica de ácidos graxos de cadeia média, especialmente ácido caprílico e ácido cáprico, que são extraídos e esterificados com glicerol para produzir os TCMs utilizados como excipientes em sistemas de liberação de fármacos lipossolúveis. Esses TCMs têm propriedades únicas que os tornam excipientes de escolha em determinadas formulações: são líquidos em temperatura ambiente facilitando a incorporação de princípios ativos em cápsulas moles, têm excelente capacidade de solubilização de compostos lipofílicos que teriam biodisponibilidade oral insatisfatória em outras formulações, são rapidamente absorvidos pelo intestino sem necessidade de bile e de lipase pancreática e têm perfil de segurança extensamente documentado em uso humano de longo prazo. Formulações de ciclosporina, de vitaminas lipossolúveis e de canabidiol para uso farmacêutico utilizam TCMs de coco como veículos lipídicos de escolha reconhecidos pelas farmacopeias internacionais.


Uma dimensão que surpreende genuinamente muitos profissionais da cadeia farmacêutica é o papel do carvão ativado de casca de coco como excipiente e como ingrediente ativo de relevância clínica direta. O carvão ativado de casca de coco, produzido pela pirólise controlada da casca do coco seguida de ativação física com vapor, tem estrutura de microporos altamente desenvolvida com área superficial que pode atingir 1.500 metros quadrados por grama, tornando-o o adsorvente mais eficiente disponível para uso oral em situações de intoxicação aguda por medicamentos e por outras substâncias. As Filipinas, com sua enorme produção de coco, são um dos maiores produtores mundiais de casca de coco, matéria-prima primária para esse carvão, e têm capacidade industrial instalada para produção do produto ativado em escala que abastece mercados farmacêuticos e de purificação de água e de ar globalmente.


Integrando a perspectiva nutracêutica, o óleo de coco e a água de coco têm acumulado crescente interesse científico e comercial em aplicações de saúde que vão além da nutrição convencional. O óleo de coco tem sido investigado por seus efeitos na modulação do perfil lipídico, na atividade antimicrobiana do ácido láurico contra patógenos como o Staphylococcus aureus e o Helicobacter pylori e no suporte cognitivo por meio do fornecimento de TCMs como substrato energético alternativo à glicose para neurônios em estados de resistência à insulina, linha de pesquisa relevante para o desenvolvimento de nutracêuticos para saúde cognitiva em populações com risco de Alzheimer. A água de coco, com seu perfil de eletrólitos naturais incluindo potássio, sódio, magnésio e cálcio em proporções biologicamente relevantes, tem sido investigada como alternativa natural a bebidas esportivas sintéticas e como componente de formulações de reidratação oral para uso clínico em populações pediátricas e geriátricas.


Zelar pela qualidade do óleo de coco filipino para uso farmacêutico exige atenção a parâmetros analíticos específicos que incluem o teor de ácido láurico determinado por cromatografia gasosa, o índice de acidez, o índice de peróxidos, o ponto de fusão que varia com a composição de ácidos graxos, a ausência de óleos adulterantes como óleo de palma e óleo de soja que podem ser adicionados fraudulentamente para reduzir custos e os limites de contaminantes como aflatoxinas que podem se desenvolver na copra armazenada inadequadamente em clima tropical. Para o carvão ativado de uso farmacêutico, os parâmetros críticos incluem a área superficial determinada pelo método BET, a capacidade de adsorção determinada por testes específicos com azul de metileno ou iodo, o teor de cinzas, o pH e os limites de metais pesados que podem se concentrar no produto durante o processo de ativação.


Bernardo, especificando TCMs de coco para uma nova formulação de ciclosporina em cápsulas moles destinada a pacientes transplantados, enfrenta uma decisão de sourcing que resume as tensões desta análise. O TCM de coco filipino de grau farmacêutico oferece custo competitivo e disponibilidade consistente, mas requer qualificação rigorosa de fornecedor incluindo auditoria da planta processadora nas Filipinas, análise de certificados de conformidade com monografia farmacopeial e verificação da cadeia de custódia desde a extração do óleo de coco bruto até o produto fracionado e purificado. O investimento nessa qualificação é justificado pela criticidade do excipiente em uma formulação de medicamento imunossupressor de janela terapêutica estreita onde qualquer variação de qualidade do veículo pode se traduzir em variação de biodisponibilidade com consequências clínicas sérias para o paciente transplantado.


A cadeia de processamento do coco filipino para uso industrial ainda apresenta fragmentação e heterogeneidade que representam desafios para compradores farmacêuticos que precisam de consistência e de rastreabilidade. A produção de copra, etapa intermediária de processamento que precede a extração do óleo, é realizada por milhares de pequenos processadores com níveis variáveis de controle de qualidade e de boas práticas de manipulação. Essa fragmentação na base da cadeia produtiva cria variabilidade de qualidade que precisa ser gerenciada por processadores industriais maiores que consolidam a matéria-prima e realizam os processos de refino, de fracionamento e de purificação necessários para obter excipientes farmacêuticos com especificação consistente lote a lote.


Uma análise de risco específica para a cadeia filipina de coco precisa considerar a vulnerabilidade climática do arquipélago. As Filipinas estão entre os países mais expostos a tufões no mundo, com média de vinte eventos por ano que afetam diferentes regiões do arquipélago com frequência e intensidade variáveis. Tufões de grande intensidade como o Haiyan em 2013 devastaram plantações de coco em regiões inteiras, eliminando árvores adultas que levam de cinco a sete anos para ser replantadas e começar a produzir novamente. Esse risco climático recorrente é um fator que compradores industriais de derivados de coco philippino precisam incorporar em seus planos de contingência com estoques de segurança dimensionados adequadamente e com fornecedores alternativos qualificados em países como Indonésia e Índia que possam ser ativados em situações de ruptura severa de abastecimento.


Numerosas pesquisas recentes têm investigado a atividade antimicrobiana do monolaurin, monoglicerídeo derivado do ácido láurico do coco, contra patógenos de relevância clínica incluindo vírus envelopados como o influenza e o herpes simplex, bactérias gram-positivas como o Staphylococcus aureus resistente a meticilina e fungos como a Candida albicans. Esses estudos, ainda predominantemente in vitro mas com número crescente de ensaios em modelos animais, posicionam o monolaurin de coco como ingrediente de interesse para desenvolvimento de formulações antimicrobianas naturais em um contexto de crescente resistência a antibióticos convencionais que motiva a busca por alternativas terapêuticas de origem natural com mecanismos de ação distintos dos antibióticos sintéticos.


Uma análise de tendências de mercado para os derivados de coco filipino aponta para crescimento sustentado da demanda em múltiplos segmentos simultaneamente. O mercado de TCMs cresce impulsionado pela expansão de formulações de fármacos lipossolúveis em cápsulas moles, pelo aumento de produtos de nutrição clínica baseados em lipídios de cadeia média e pelo interesse crescente em formulações de canabidiol e de outros fitocanabinóides que utilizam TCMs como veículo preferencial. O mercado de carvão ativado cresce pela expansão de indicações clínicas em intoxicações e pela demanda crescente em purificação de água e de ar em mercados em desenvolvimento. E o mercado de tensoativos derivados de coco cresce pela pressão regulatória crescente por substituição de tensoativos petroquímicos por alternativas de origem renovável em formulações farmacêuticas e cosméticas.


Estratégias de acesso a derivados de coco filipino de grau farmacêutico para laboratórios brasileiros passam por distribuidores especializados em excipientes farmacêuticos de origem asiática com experiência em qualificação de fornecedores filipinos e com capacidade de oferecer documentação técnica completa, incluindo certificados de análise por lote, laudos de estabilidade e suporte regulatório para inclusão dos excipientes em dossiês de registro perante a Anvisa. O Brasil tem relações comerciais com as Filipinas em commodities agrícolas, mas ainda não desenvolveu uma cadeia estruturada de importação de excipientes farmacêuticos derivados de coco que aproveite a posição de liderança mundial do arquipélago nessa matéria-prima.


A palmeira de coco que cresce nas ilhas filipinas e que alimenta famílias de pequenos agricultores por gerações está produzindo, em cada fruto que cai, uma matéria-prima com conexões à cadeia farmacêutica que vão do comprimido mais simples ao imunossupressor mais sofisticado. O ácido láurico que está no tensoativo do comprimido, os TCMs que estão na cápsula mole da ciclosporina, o carvão ativado que salva vidas em casos de intoxicação aguda e os compostos antimicrobianos que a pesquisa está descobrindo nas frações do óleo são todos derivados da mesma palmeira tropical que as Filipinas cultivam com uma escala que nenhum outro país consegue replicar. Reconhecer essa cadeia de valor, investir na qualificação dos fornecedores filipinos e incorporar os derivados de coco no pipeline de desenvolvimento de formulações farmacêuticas inovadoras é a oportunidade que esse arquipélago do Pacífico oferece à indústria de saúde global com abundância, com consistência e com um potencial de inovação que a ciência farmacológica está apenas começando a explorar adequadamente.

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