Propósito

✔ Brazil SFE® Pharma Produtivity, Effectiveness, CRM, BI, SFE, ♕Data Science Enthusiast, ✰BI, Big Data & Analytics, ✰Market Intelligence, ♕Sales Force Effectiveness, Vendas, Consultores, Comportamento, etc... Este é um lugar onde executivos e profissionais da Indústria Farmacêutica atualizam-se, compartilham experiências, aplicabilidades e contribuem com artigos e perspectivas, ideias e tendências. Todos os artigos e séries são desenvolvidos por profissionais da indústria. Este Blog faz parte integrante do grupo AL Bernardes®.

Views

Meni

.: Marquee

Carregando artigos...

✔️ Brazil SFE News®

Brazil SFE News®
Carregando notícias…

A Espanha Produz 44% do Azeite de Oliva do Mundo — e a Farmácia Usa Isso Há Séculos | Top 50 Países Maiores Produtores

A Espanha Produz 44% do Azeite de Oliva do Mundo — e a Farmácia Usa Isso Há Séculos | Top 50 Países Maiores Produtores
#BrazilSFE #Espanha #AzeiteDeOliva #Esqualeno #Oleocantal #Farmaceutica #Excipientes #VeiculoLipidico #Nutraceutica #Polifenois #Formulacoes



Série: Consultores, Propagandistas e Representantes


O azeite de oliva é um dos ingredientes mais antigos da história da farmácia. Antes de existir Indústria Farmacêutica, antes de existir farmacopeia e antes de existir regulação sanitária, o óleo extraído das azeitonas já era utilizado por médicos gregos, romanos e árabes como veículo para princípios ativos, como base para unguentos e como agente terapêutico em seu próprio direito. Essa história milenar não é apenas curiosidade cultural. É o registro mais longo de uso seguro de um ingrediente lipídico que a farmácia conhece, e a Espanha, segundo a lista TOP 50 Maiores Países Produtores Mundiais, tem 1,2 milhão de toneladas produzidas anualmente e 44% do mercado global, é o país que mais contribui para manter esse ingrediente disponível para a indústria de saúde moderna em escala industrial.


Espanha — com uma presença no ranking:


  • Azeite de oliva (#31 — 1,2 M t — 44% mundial — reservas: anual/renovável)


Nenhum outro país combina, da forma como a Espanha combina, escala de produção de azeite com tradição de qualidade documentada, infraestrutura de processamento sofisticada e proximidade com os maiores mercados consumidores e processadores industriais da Europa. As regiões de Andaluzia, Castilla-La Mancha e Extremadura concentram milhões de oliveiras que produzem um óleo com perfil de ácidos graxos, especialmente rico em ácido oleico, e uma composição de compostos fenólicos e de esqualeno que o tornam tecnicamente superior à maioria dos óleos vegetais disponíveis para aplicações farmacêuticas que exigem estabilidade oxidativa, biocompatibilidade e perfil lipídico favorável.


Top 50 Países Maiores Produtores

Desafiar a percepção que limita o azeite de oliva ao universo gastronômico e à dieta mediterrânea é o ponto de partida para uma análise que tem consequências práticas para formuladores farmacêuticos, para gestores de supply chain e para pesquisadores que desenvolvem sistemas lipídicos de entrega de fármacos. O azeite espanhol está em farmacopeias, em formulações injetáveis, em sistemas de nutrição parenteral, em emulsões lipídicas e em veículos para princípios ativos lipossolúveis que chegam a pacientes em hospitais de todo o mundo. Essa presença farmacêutica é real, é regulada e é estrategicamente relevante para qualquer cadeia de produção de medicamentos que utilize lipídios naturais como matéria-prima.


A produção espanhola de azeite de oliva atingiu 1,2 milhão de toneladas anuais, com variações significativas entre safras em função das condições climáticas, especialmente da disponibilidade hídrica durante o período de floração e de desenvolvimento dos frutos. A Espanha é seguida por Itália e Grécia na produção mundial, mas mantém uma vantagem de escala que nenhum dos dois consegue replicar. O azeite espanhol exportado abastece mercados de todo o mundo na forma de produto acabado para consumo direto, mas também como matéria-prima para processadores industriais que extraem frações específicas de interesse farmacêutico e nutracêutico. 

Fonte: https://www.fao.org/statistics/highlights-archive/highlights-detail/agricultural-production-statistics-2010-2024/en


Nesse contexto, o esqualeno merece atenção central e detalhada por sua importância farmacêutica que vai muito além do conhecimento convencional do setor. O esqualeno é um triterpeno presente em concentrações de 0,1% a 0,7% no azeite de oliva, sendo o óleo de oliva a fonte vegetal mais rica e mais acessível desse composto disponível em escala industrial. Historicamente extraído do fígado de tubarões, o esqualeno de origem vegetal derivado do azeite espanhol tornou-se a alternativa ética e sustentável que a Indústria Farmacêutica e cosmética adotou progressivamente para substituir a origem animal. Sua aplicação mais estratégica para a saúde pública global é como componente de adjuvantes vacinais: o MF59, adjuvante desenvolvido pela Novartis e amplamente utilizado em vacinas de influenza para populações idosas, é uma emulsão de esqualeno em água que potencializa significativamente a resposta imunológica à vacinação. 

Fonte: https://www.visualcapitalist.com/ranked-the-worlds-most-valuable-food-commodities/


Dados do mercado global de adjuvantes vacinais confirmam que a demanda por esqualeno de grau farmacêutico cresceu de forma expressiva nas últimas décadas, impulsionada pela expansão dos programas de vacinação contra influenza em populações idosas e pelo desenvolvimento de vacinas adjuvantadas para outras indicações, incluindo malária, dengue e potencialmente novas vacinas de mRNA que exploram sistemas lipídicos de entrega. O esqualeno derivado do azeite espanhol é a matéria-prima central para toda essa cadeia, e a Espanha, como maior produtora mundial de azeite, ocupa uma posição estratégica nesse mercado que vai muito além da sua imagem como produtora de um óleo culinário nobre.


Reposicionando a análise para os compostos fenólicos do azeite espanhol, o oleocantal merece destaque especial. Esse composto fenólico, responsável pela sensação de ardência na garganta que caracteriza os azeites de alta qualidade, tem sido identificado pela pesquisa científica como um inibidor da enzima ciclooxigenase com mecanismo de ação análogo ao do ibuprofeno, embora com estrutura química completamente distinta. Estudos publicados em periódicos de alto impacto documentam o potencial anti-inflamatório do oleocantal e investigam suas aplicações como agente terapêutico natural em condições inflamatórias crônicas, abrindo uma linha de pesquisa que posiciona o azeite espanhol de alta qualidade como fonte de um composto com atividade farmacológica documentada e com potencial de desenvolvimento em formulações nutracêuticas e farmacêuticas específicas.


Uma dimensão adicional que conecta o azeite espanhol à cadeia farmacêutica é seu uso como veículo oficial em formulações farmacêuticas. O azeite de oliva refinado está listado como excipiente nas principais farmacopeias internacionais, incluindo a USP, a Farmacopeia Europeia e a Farmacopeia Brasileira, e é utilizado como veículo em preparações injetáveis oleosas, como base para soluções oleosas de vitaminas lipossolúveis, como componente de emulsões lipídicas para nutrição parenteral e como veículo para hormônios de liberação lenta administrados por via intramuscular. Essa presença farmacopeial é o reconhecimento regulatório de décadas de uso seguro e documentado que confere ao azeite de oliva um status de ingrediente farmacêutico estabelecido que poucos óleos vegetais alcançaram.


Integrando essa análise ao contexto da nutrição parenteral, o azeite de oliva espanhol é componente central das emulsões lipídicas de terceira geração utilizadas em pacientes hospitalizados que necessitam de nutrição intravenosa. Emulsões como o ClinOleic, aprovado em múltiplos países incluindo o Brasil, contêm predominantemente óleo de oliva como fonte de lipídios, com perfil de ácidos graxos considerado mais favorável para pacientes críticos do que as emulsões de soja ou de cártamo que dominavam o mercado anteriormente. A tolerância imunológica superior, a menor indução de peroxidação lipídica e o perfil anti-inflamatório do ácido oleico predominante são os atributos técnicos que justificam a preferência clínica crescente por emulsões baseadas em azeite de oliva em unidades de terapia intensiva e em programas de nutrição clínica de longa duração.


Zelar pela qualidade do azeite de oliva utilizado em aplicações farmacêuticas exige um nível de especificação técnica muito superior ao do produto destinado ao consumo alimentar. O azeite de oliva grau farmacêutico deve atender a critérios rigorosos de pureza, de índice de acidez, de índice de peróxidos, de absorbância no ultravioleta, de ausência de solventes de extração e de conformidade com limites de contaminantes estabelecidos pelas farmacopeias internacionais. A Espanha, com sua infraestrutura de processamento e com sua tradição de qualidade no setor oleícola, tem fornecedores especializados em azeite grau farmacêutico que atendem a essas especificações e que possuem certificações GMP reconhecidas pelos principais mercados regulados do mundo.


Desenvolvendo uma formulação injetável oleosa de um hormônio de ação prolongada para uso em medicina veterinária e eventualmente em aplicações humanas, encontra no azeite de oliva espanhol grau farmacêutico um veículo com documentação regulatória robusta, com história de uso seguro bem estabelecida e com fornecedores europeus que oferecem certificados de análise completos e suporte técnico para inclusão do excipiente em dossiês regulatórios perante agências como a Anvisa, a FDA e a EMA. A principal vantagem em relação a óleos alternativos como o óleo de gergelim ou o óleo de amendoim é precisamente essa solidez regulatória acumulada ao longo de décadas de uso farmacêutico documentado.


A variabilidade climática que afeta a produção espanhola de azeite é um fator de risco de supply chain que merece monitoramento contínuo por parte dos gestores de compras de excipientes farmacêuticos. Safras como a de 2022 e a de 2023, fortemente prejudicadas pela seca severa que atingiu a Andaluzia, reduziram a produção espanhola de forma expressiva e geraram alta significativa nos preços do azeite em todo o mundo, com reflexos diretos sobre o custo do excipiente grau farmacêutico disponível no mercado global. A mudança climática, com seu padrão de secas mais frequentes e mais intensas na bacia do Mediterrâneo, representa uma ameaça estrutural de longo prazo à consistência do fornecimento de azeite espanhol que compradores industriais precisam incorporar em seus modelos de risco.


Numerosas pesquisas recentes têm investigado as propriedades neuroprotetoras dos polifenóis do azeite de oliva, especialmente a oleuropeína e o hidroxitirosol, em modelos experimentais de doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson. Esses compostos demonstraram capacidade de reduzir a agregação de proteínas beta-amiloide e alfa-sinucleína, de modular a neuroinflamação e de proteger neurônios contra danos oxidativos em estudos pré-clínicos. Embora ainda distantes de aplicações clínicas estabelecidas, esses achados alimentam um pipeline de pesquisa que posiciona os compostos fenólicos do azeite espanhol como candidatos a ingredientes ativos em formulações nutracêuticas para saúde cerebral, um mercado de crescimento acelerado em populações envelhecidas dos países desenvolvidos e emergentes.


Uma análise estratégica da posição espanhola no mercado de azeite aponta para um movimento crescente de valorização do produto como ingrediente funcional de saúde, além do seu papel convencional como alimento e como excipiente farmacêutico clássico. Iniciativas de certificação de azeites de alta fenolicidade, estudos clínicos sobre os efeitos do consumo regular de azeite rico em oleocantal na redução de biomarcadores inflamatórios e o desenvolvimento de extratos padronizados de compostos fenólicos de azeite para uso em suplementos alimentares são tendências que estão progressivamente transformando a imagem do produto de commodity alimentar de alto valor para ingrediente funcional com respaldo científico crescente.


Estratégias de acesso a azeite de oliva espanhol grau farmacêutico para laboratórios brasileiros passam por distribuidores especializados em excipientes farmacêuticos de origem europeia, que mantêm estoques certificados, oferecem documentação técnica completa e garantem rastreabilidade até o produtor primário. Para volumes industriais significativos, a negociação direta com processadores espanhóis especializados em grau farmacêutico pode oferecer vantagens de custo e de personalização de especificações que distribuidores intermediários não conseguem proporcionar. O desenvolvimento dessa relação direta exige investimento em due diligence técnica e em qualificação de fornecedor, mas gera retornos em termos de custo e de segurança de abastecimento que justificam o esforço.


O azeite que escorre das azeitonas colhidas nas planícies da Andaluzia espanhola tem uma história farmacêutica que começa antes da escrita e que continua sendo escrita nos laboratórios de formulação do século vinte e um. Da unguentaria da antiguidade às emulsões lipídicas de UTI moderna, da medicina tradicional mediterrânea aos adjuvantes vacinais de nova geração, o azeite de oliva espanhol percorreu uma trajetória de aplicação farmacêutica que nenhum outro óleo vegetal consegue replicar em extensão temporal e em diversidade de usos documentados. Para a Indústria Farmacêutica global, esse histórico não é nostalgia. É a base técnica e regulatória mais sólida que um excipiente lipídico pode oferecer, e a Espanha, com 44% da produção mundial, é a guardiã principal dessa herança que a medicina moderna continua precisando com crescente sofisticação.

👉 Siga André Bernardes no Linkedin. Clique aqui e contate-me via What's App.

Comente e compartilhe este artigo!

brazilsalesforceeffectiveness@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Compartilhe sua opinião e ponto de vista: