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🎯 MÉTODO QA® · Artigo 6 | O Funil Farmacêutico: da Prescrição à Recompra

🎯 MÉTODO QA® · Artigo 6 | O Funil Farmacêutico: da Prescrição à Recompra

#BrazilSFE #IndústriaFarmacêutica


DOE UM CAFÉ


Mapeando a jornada que a Força de Vendas precisa influenciar

Série: Método QA® — A Busca pela Efetividade · Módulo 1: Fundamentos · Alavanca dominante: Execução / Inteligência


✨ Introdução


Atenção — Você sabe que as vendas caíram. Mas sabe em qual etapa o funil vazou?


Interesse — Da prescrição à recompra, cada passo perde volume, e o funil mostra onde.


Desejo — Medir etapa por etapa transforma diagnóstico vago em ação dirigida ao gargalo.


Ação — Mapeie o funil farmacêutico da sua operação e ataque o ponto exato onde a venda escapa.


No artigo anterior, propusemos seguir o caminho da demanda e marcar onde ela vaza. Mas só se mede o que se divide em etapas. O funil farmacêutico faz exatamente isso: transforma a jornada do produto em uma sequência de passos mensuráveis. É onde a Execução encontra a Inteligência.


A ideia do funil é simples e poderosa. Em cada etapa, parte do volume se perde, e o funil mostra onde e quanto. Ele converte uma abstração — "o mercado" — em uma escada de conversões que se pode gerir, passo a passo.


No setor farmacêutico, esse funil é duplo. Há o lado do prescritor, onde a demanda é construída junto ao médico, e o lado do paciente, onde a prescrição vira compra e, depois, recompra. Essa divisão nasce da peculiaridade que já vimos: quem prescreve não é quem compra.


A primeira etapa do lado do prescritor é a cobertura. Antes de qualquer coisa, é preciso alcançar o médico-alvo certo. Se ele não é visitado, nada acontece adiante. O primeiro vazamento possível é também o mais básico: o alvo que ficou descoberto.


A segunda etapa é a lembrança. Visitar uma vez não é ser lembrado. O médico precisa conhecer o produto e tê-lo na cabeça no momento da decisão clínica. Aqui se perde quem foi visitado, mas com frequência baixa ou mensagem fraca demais para fixar.


A terceira etapa é a primeira prescrição, a experimentação. É o instante em que o médico, pela primeira vez, decide prescrever. Muitos conhecem o produto e mesmo assim não agem: é o vazamento da relevância, conhecer sem ver motivo suficiente para mudar a conduta.


A quarta etapa é a prescrição recorrente, o hábito. Uma prescrição isolada não é um cliente; o hábito, sim. Aqui se perde o médico que experimentou uma vez e não repetiu, porque o resultado, a lembrança ou o relacionamento não se sustentaram.


Concluído o lado do prescritor, o funil passa para o paciente, e a primeira etapa desse lado é a conversão no balcão. A prescrição precisa virar compra. É o território do Trade, e o vazamento aqui tem nomes conhecidos: ruptura, substituição e preço.


A etapa seguinte é a adesão ao tratamento. O paciente comprou, mas precisa continuar usando. Em terapias crônicas, o abandono é enorme: parte expressiva dos pacientes interrompe o tratamento nos primeiros meses. Cada abandono é uma venda futura que evapora.


A última etapa é a recompra, a fidelização. O ciclo se repete, e o paciente se mantém em tratamento ao longo do tempo. É aqui que se constrói o valor de longo prazo de cada cliente, e é aqui, paradoxalmente, que a maioria das operações menos investe.


O ponto crítico do funil é a matemática. As perdas de cada etapa não se somam, elas se multiplicam. Reter 80% em cada um de cinco passos não deixa 80% no fim, deixa cerca de um terço. Pequenos vazamentos encadeados desabam o resultado, exatamente como uma alavanca zerada.


Cada etapa do funil se conecta a uma frente e a um papel. Cobertura, lembrança e prescrição são a frente de demanda médica. A conversão no balcão é a frente de Trade. Adesão e recompra são o território do relacionamento e dos programas de suporte ao paciente.


É por isso que o funil é o ponto exato onde a Execução encontra a Inteligência. Executa-se etapa por etapa, e mede-se etapa por etapa. Sem medição, sabe-se que as vendas caíram, mas não onde o funil estreitou, e diagnóstico sem etapa é chute.


Aqui reaparece a distinção entre indicadores de resultado e de direção. As etapas finais, recompra e participação de mercado, olham o retrovisor. As etapas iniciais, cobertura e lembrança, olham o para-brisa. Gerir só pelo fim é corrigir tarde demais.


O poder diagnóstico do funil é trocar perguntas vagas por perguntas precisas. Em vez de "por que as vendas caíram?", pergunta-se "em que etapa perdemos volume?". A primeira gera reuniões, a segunda gera ação dirigida ao ponto certo.


Para isso, o que importa não são os totais, e sim as taxas de conversão entre etapas. Quantos dos médicos cobertos lembram do produto? Quantos dos que lembram prescrevem? Quantos dos que prescrevem repetem? Cada taxa revela a saúde de uma passagem do funil.


Daí vem o princípio do gargalo: corrija primeiro a etapa mais estreita. Alargar uma etapa que não é a restrição consome esforço sem mover o resultado. Investir em cobertura quando o problema é recompra é encher de água um balde furado no fundo.


Produtos diferentes travam em etapas diferentes. Um produto novo costuma sofrer na experimentação, na primeira prescrição. Um produto maduro costuma sofrer na recompra e na adesão. O mesmo funil, lido para cada produto, aponta gargalos distintos.


A metade final do funil, adesão e recompra, é a mais negligenciada e a mais lucrativa. Reter custa menos do que conquistar, e em doenças crônicas o resultado se decide na continuidade do tratamento, não na primeira venda. Quem cuida do fim do funil colhe o que os outros desperdiçam.


Vale um alerta ético, próprio do setor: influenciar o funil não significa empurrar consumo. A adesão que importa é a do tratamento clinicamente indicado, conduzida dentro das regras da ANVISA e dos códigos de conduta. Efetividade e ética caminham juntas, ou não é efetividade.


O funil também disciplina a conversa entre as áreas. Marketing, vendas, Trade e acesso passam a falar a mesma língua, a língua das etapas e das taxas. Em vez de defender cada um o próprio número, todos olham para o mesmo funil e para o mesmo vazamento.


Construir esse funil exige dado confiável de campo, o que antecipa um tema central do Módulo 6. Sem CRM bem alimentado e sem indicadores claros, o funil é uma boa teoria sem base real. A Inteligência é o que tira o funil do slide e o coloca na operação.


Por isso o funil é, mais do que uma figura, a espinha de medição do Método QA®. É ele que transforma o diagnóstico das alavancas em algo concreto: cada etapa travada aponta uma frente fraca, e cada frente fraca aponta uma alavanca a reforçar.


Encerrando o raciocínio: a Força de Vendas existe para influenciar esse funil de ponta a ponta, da cobertura do médico à recompra do paciente. Toda atividade que não move alguma etapa do funil é movimento sem efetividade, e o método existe para evitá-la.


Mas há algo que precede até a primeira etapa do funil: o produto só entra nele depois de cruzar o portão regulatório. No próximo artigo, mostramos por que entender a ANVISA não é tarefa burocrática, e sim vantagem competitiva, e como a regulação molda toda a estratégia comercial.



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