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O sua Gestão de Categoria na farmácia pode estar destruindo margem neste exato momento, e a gôndola já está corrigindo o estrago no silêncio. O problema, no entanto, não está na estratégia bem desenhada. Está na decisão que ninguém quer tomar, aquela que incomoda a sala de reunião e por isso fica adiada trimestre após trimestre, enquanto a rentabilidade evapora.
Na farmácia, tudo costuma parecer perfeito! Nos dashboards estão impecáveis, a participação aparece em alta, os portfólios são amplos e as categorias parecem completas. No papel, a gestão dá orgulho. O choque vem quando se sai da planilha e se chega ao ponto de venda real, onde os números bonitos não se sustentam.
Porque no balcão a rotação não melhora, o estoque continua crescendo e a margem segue caindo. É nesse contraste entre o relatório e a prateleira que a realidade aparece sem maquiagem, e entendê-la é o que separa o gestor que protege o lucro do que apenas administra a ilusão de uma categoria saudável. Vale percorrer essa lógica até o fim, porque ela mexe diretamente no caixa.
A regra mais dura do varejo farmacêutico é encadeada e implacável. Se a gôndola não muda, a rotação não muda. Se a rotação não muda, a margem se erode. E se a margem se erode, o crescimento que aparece nos números é falso, sustentado por volume sem rentabilidade. Essa corrente explica por que tantas categorias crescem na planilha e empobrecem no resultado.
O erro mais comum de todos é acreditar que mais SKUs significam mais vendas. Muitas vezes acontece exatamente o contrário. Categorias saturadas, referências parecidas demais entre si, produtos sem papel claro no sortimento e excesso de estoque lento produzem um efeito devastador: menos rotação, mais capital parado, mais pressão promocional e menos rentabilidade. O excesso de opções, longe de vender mais, trava a operação.
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Traduzido para dinheiro, em muitas farmácias da América Latina isso termina sempre do mesmo jeito: mais estoque, mais descontos, mais complexidade operacional e menos margem real. E o prazo desse estrago é curto. Em menos de 90 dias, uma farmácia pode perder entre 1 e 3 pontos de margem, não por falta de vendas, mas por uma decisão ruim de categoria. É lucro que escorre por uma escolha mal feita no sortimento.
O que quase ninguém quer fazer é justamente o que resolve: eliminar SKUs. E a resistência existe porque essa não é uma decisão técnica, é uma decisão de negócio. Definir qual produto sai, qual categoria se simplifica e qual espaço deixa de ser desperdiçado incomoda profundamente, porque obriga a aceitar uma verdade difícil de engolir: mais opções nem sempre vendem mais.
Para entender o porquê, basta observar como o paciente realmente decide diante da prateleira. Ele não analisa 20 opções com calma, ele resolve rápido. E quando encontra referências demais, pouca diferenciação entre elas e excesso de mensagens competindo pelo seu olhar, o efeito é imediato: a conversão cai, a rotação cai e a margem despenca junto. A abundância vira paralisia, e a paralisia vira venda perdida.
O insight central é revelador. Já se viu categorias crescerem em vendas enquanto destroem rentabilidade, um crescimento que parece vitória e é prejuízo disfarçado. E também se viu farmácias simplificarem portfólios, reduzirem complexidade e melhorarem a margem sem tocar no preço. O que mudou nesses casos não foi a análise, que já estava disponível. Foi a decisão de agir sobre ela.
Os números do mercado brasileiro reforçam por que essa disciplina virou urgente. O varejo farmacêutico nacional alcançou R$ 243,33 bilhões nos doze meses até novembro de 2025, mas o próprio setor reconhece que as margens ficaram mais pressionadas e o improviso já não encontra espaço em um mercado cada vez mais profissionalizado. Crescer empilhando SKUs sem girá-los é alimentar exatamente a pressão de margem que derruba o negócio.
O custo do estoque parado e da ruptura mal gerida aparece nos indicadores de perda. Estudos do setor mostram que a ruptura pode reduzir o faturamento anual em até 8%, enquanto a pesquisa de prevenção de perdas aponta que as farmácias lideram as perdas por quebra operacional, com 65,21% das ocorrências entre os segmentos do varejo, incluindo validade expirada e excesso de compra. Portfólio inflado é combustível para esse desperdício, porque multiplica itens lentos e vencimentos.
Existe uma fórmula que define o desempenho da prateleira, e ela cabe em três pilares. O V ao cubo reúne Visibilidade, Disponibilidade e Velocidade. Se um deles falha, não há conversão. Se dois falham, não há rotação. Se os três falham, a margem é destruída. É um diagnóstico simples para olhar qualquer categoria e enxergar onde o resultado está vazando.
A gôndola, no fim das contas, não executa estratégias, ela executa decisões. E na farmácia não vence quem tem mais SKUs no cadastro, vence quem melhor protege a rotação e a margem no dia a dia da operação. Para a indústria farmacêutica e para o varejo, fica a provocação que vale levar para a próxima revisão de sortimento: quantos SKUs na sua farmácia hoje estão ocupando espaço sem girar e corroendo margem, e mais importante, quantos você estaria disposto a eliminar já neste trimestre?






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