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Rosemary Mburu - Revista TIME100 Saúde 2026 - Líderes Mais Influentes do Mundo na Área da Saúde

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A TIME revelou a terceira edição anual da lista TIME100 Saúde, que reconhece as 100 pessoas mais influentes na área da saúde.



Rosemary Mburu
Defendendo a liderança africana na área da saúde

Quando os cortes do presidente Trump nos orçamentos de ajuda internacional em 2025 afetaram os esforços para eliminar a malária, o HIV e a tuberculose, Rosemary Mburu soube que era hora de uma nova e ousada estratégia global de saúde.

Mburu, organizadora da sociedade civil e diretora executiva da ONG WACI Health no Quênia, também é coordenadora do núcleo africano da Rede de Defensores do Fundo Global, que gera apoio da comunidade local ao Fundo Global. Mburu mobilizou os países africanos doadores para apoiarem o fundo e ajudou outros a discursarem no cenário global para angariar ainda mais apoio. "Vimos a liderança africana se mobilizando para defender este momento", afirma Mburu. Vários países africanos aumentaram substancialmente suas contribuições, marcando uma mudança de um modelo em que os países de baixa renda são beneficiários da ajuda para um em que são coinvestidores, um modelo que Mburu defende publicamente.

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6 comentários:

  1. A perspectiva de Rosemary Mburu sobre transferência de tecnologia farmacêutica para países em desenvolvimento é uma das mais urgentes e menos debatidas na indústria no Brasil. A pandemia de COVID-19 expuspos dramaticamente como a dependência de manufatura farmacêutica concentrada em poucos países cria vulnerabilidade catastrófica para o resto do mundo. O Hub de Transferência de Tecnologia de Vacinas COVID-19 em Cape Town, ao qual Mburu está indiretamente relacionada, é um modelo que o Brasil já tentou replicar com os acordos de transferência tecnológica da AstraZeneca e CoronaVac. Expandir essa lógica para outras áreas terapeuticas, especialmente para biossimilares e anticorpos monoclonais, é um caminho que o governo brasileiro precisa aprofundar como parte da agenda de saúde pública e competitividade industrial.

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  2. A liderança de Rosemary Mburu em advocacy de pacientes nos países em desenvolvimento apresenta um modelo de participação cida dã em política farmacêutica que o Brasil já está incorporando crescentemente. Associações de pacientes como o Instituto Oncoguia, o GRAACC e a ABL (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia) têm desempenhado papéis fundamentais nos processos de incorporação de tecnologias pela CONITEC, garantindo que a voz do paciente seja considerada nas avaliações de custo-efetividade. Para a indústria farmacêutica, construir e nutrir parcerias genuinas com associações de pacientes - não como instrumento de lobby, mas como parceiro na jornada de cuidado - é uma estratégia que fortalece a proposta de valor clínico, melhora os desfechos reais e cria o tipo de evidência qualitativa que complementa os dados quantitativos nos dossiês de HTA.

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  3. Rosemary Mburu encarna de forma absolutamente inspiradora o que significa colocar os direitos dos pacientes no centro de toda decisão de política pública em saúde. Sua inclusão no TIME100 Saúde 2026 é um reconhecimento merecido a uma trajetória dedicada a amplificar as vozes de quem mais precisa ser ouvido nos processos regulatórios e de acesso a medicamentos. Para a indústria farmacêutica, lideranças como Mburu representam um lembrete fundamental de que o cliente final não é o médico prescritor nem o gestor hospitalar, mas o paciente que espera por tratamento eficaz e acessível. No Brasil, onde movimentos de pacientes e organizações da sociedade civil têm ganhado protagonismo crescente nas discussões sobre incorporação de tecnologias pela CONITEC, o modelo de engajamento de pacientes que Mburu defende é altamente replicavel. Integrar as perspectivas dos pacientes desde a fase de desenvolvimento clínico até as negociações de preço é uma prática que fortalece tanto a empresa quanto o sistema de saúde. Conteúdo de grande profundidade humânista!

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  4. O trabalho de Rosemary Mburu é particularmente relevante para repensar a lógica de acesso a medicamentos no continente africano, que frequentemente é tratado como mercado secundário pela indústria farmacêutica global. Para o Brasil, que compartilha com áfrica desafios comuns de acesso e conta com fortes laços históricos e diplomáticos, a experiência de Mburu com o Global Fund e com advocacy por soberania em saúde é espelho direto das discussões sobre autonomia sanitária e produção local de medicamentos que ocorrem no Ministério da Saúde e na Abifina. O PDP (Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo) brasileiro e o PNDS (Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário) bebem da mesma fonte filosófica que guia Mburu: a de que países devem ser protagonistas de sua própria segurança sanitária, não meros receptores de tecnologias desenvolvidas no hemisfério norte. Discussão fundamental e incontornável.

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  5. A trajetoria de Rosemary Mburu também coloca em perspectiva o debate sobre acesso universal a medicamentos biológicos de alto custo em países emergentes. No Brasil, a chegada de biosimilares de anticorpos monoclonais (como adalimumabe biosimilar pela ANVISA) vem ampliando progressivamente o acesso a terapias antes restritas ao mercado privado de alta renda. A lógica de Mburu - que defende que o financiamento global de saúde deve capacitar os países a construir seus próprios sistemas, e não criar dependência - se traduz diretamente no dilema brasileiro sobre quanto investir em produção local de biológicos versus importar. A construção de capacidade produtiva nacional em biológicos - como o projeto da AstraZeneca com a FIOCRUZ e as iniciativas da Biomanguinhos - é a resposta brasileira à filosofia que Mburu representa. Artigo de leitura obrigatória para quem trabalha com Market Access e Política Farmacêutica.

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  6. A inclusão de Rosemary Mburu na lista TIME100 Saúde 2026 é também um recado para a indústria farmacêutica global: as vozes do Sul Global têm cada vez mais peso nas discussões sobre política farmacêutica internacional. A reemergência de debates sobre TRIPS flexibilities, patentes compulsórias e acesso a medicamentos essenciais na OMS e na OMC é diretamente alimentada por ativistas como Mburu. Para as farmacêuticas inovadoras, o caminho para preservar seus modelos de negócio de propriedade intelectual passa por construir proposta de valor genuinamente percebida pelos governos e populações dos mercados emergentes. No Brasil, a Interfarma tem desenvolvido posicionamentos mais sofisticados sobre a questão do acesso e da inovacão que reconhecem essa tensão estrutural. É a direção certa. O Brazil SFE cumpre papel fundamental ao trazer esses debates para a indústria nacional.

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